'Valorização da
moeda é indicador
positivo mas
preocupa autoridades
monetárias e
exportadores. Não
devia ser assim'




É indisfarçável o desconforto de setores da economia e da autoridade monetária diante da valorização do real ou, no justo calibre, diante da desvalorização do dólar norte-americano. O governo só não tomou medida mais profunda de ajuste cambial, nesta semana, por temer a repercussão de uma decisão que levaria a um ostensivo ''protecionismo cambial''.

Esta interpretação - ainda que linear e artificial, convenhamos - teria impacto negativo às vésperas do ano de eleições. Certo ou errado, este é o tom e a variável (política) determinante que vai permear todas as decisões econômicas em 2010.

Balança comercial à parte, aos olhos do governo o que conta é que os carrinhos de supermercados estarão cheios de itens importados neste dezembro.
E ninguém pode negar que consumidor feliz é dinheiro circulando fazendo a liquidez do comércio garantir mais emprego e menos problemas sociais.

Mas a preocupação com os efeitos de uma moeda interna muito forte não é exclusiva do Brasil. Ocorre também no Japão, como se viu esta semana. O detalhe é que as exportações japonesas tem um peso maior, enquanto o Brasil tem uma pauta de importados cujo impacto na economia é direto e transparece rapidamente na vida das pessoas. Há um gostinho de poder na mesa e no vestuário.

Embora também exportador, no Brasil, quando o fiel da balança pende para o mercado interno fica mais fácil fazer ajustes da receita, diferentemente de um país que exporta, além de produtos, a tecnologia neles embutida. É o caso do Japão industrialmente desenvolvido.

Olhando apenas pelo lado positivo, a valorização da moeda nacional é efeito, não é causa, num cenário em que a demanda agregada de bens cresce em ritmo muito mais acelerado do que o fluxo de dólares.

E termos mais acadêmicos e semânticos, tem economista defendendo (o mesmo raciocínio) que a moeda interna é valorizada porque o País está crescendo mais do que pode e não tem poupança. Os fluxos de capital é que estão dispostos a financiar o País.

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