Novo capítulo no setor de transporte aéreo brasileiro. Em uma medida provisória publicada nesta semana em edição extraordinária do Diário Oficial da União, o governo federal transferiu o controle da atividade aeroportuária e a regulação do setor do Ministério da Defesa para a nova Secretaria de Aviação Civil (SAC), que tem status de ministério e será ligada à Presidência.
A SAC responderá pela Infraero, empresa que administra 67 aeroportos no País, e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pela regulação do setor. Controle do tráfego aéreo, feito pela Força Aérea Brasileira (FAB), permanece com a Defesa. A nova secretaria fará ainda o planejamento estratégico, definindo prioridades de investimentos, incluindo a missão de dar concessão total ou parcial dos terminais novos ou não.
Num país continental como o Brasil, e com poucas opções de transporte eficientes e rápidas para longas distâncias - a primeira linha de trem de alta velocidade será restrita e levará uns bons anos para ficar pronta -, o transporte aéreo ganha importância a cada dia. Ano passado essa tendência podia ser conferida nos dados do governo federal, que mostram que 66 milhões de pessoas passaram pelos aeroportos, enquanto 67 milhões foram aos terminais rodoviários, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
O crescimento nos aeroportos do País no primeiro bimestre deste ano foi de 10%. Como resultado, pela primeira vez o número de passageiros de avião superou o de viajantes de ônibus interestaduais. O ônibus só mantém certa hegemonia em viagens com distâncias de até 500 quilômetros afirma a própria ANTT. Isso sem contar o aumento na demanda que os eventos esportivos dos próximos anos proporcionarão.
Por outro lado, os investimentos em infraestrutura dos terminais deixam muito a desejar. São prédios antigos, sem o mínimo conforto. Sem falar nos constantes atrasos e mudanças de portões de embarque. Viajar de avião reduz o tempo de chegada, mas é um verdadeiro teste de paciência. Resta saber se o SAC terá poder político e econômico para resolver esses problemas a tempo de não virarmos piada internacional.

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