Mais de 30 mil executivos já foram treinados pelo educador Oscar Motomura, entre eles presidentes e diretores das maiores corporações brasileiras. Mentor do programa de gestão Amana-Key, um método que promete reinventar organizações ou resolver ''equações impossíveis'', Motomura chega a cobrar R$ 6 mil por pessoa nos cursos e workshops que comanda em São Paulo. De passagem por Londrina para ministrar uma palestra na programação do Imin 100, o educador falou com exclusividade à FOLHA sobre a melhor forma de conduzir os rumos de uma empresa.

Qual é a diferença do programa de gestão Amana-Key se comparado a outros treinamentos? Por que é tão procurado por empresários?
Uma das coisas que enfatizamos é a busca de inovações que vão na raiz dos problemas. Existem muitas organizações que trabalham as mudanças e melhorias baseadas no que já existe. Nosso foco sempre foi uma preocupação em olhar o que existe e checar se aquilo ainda é válido. Não adianta melhorar o sistema que não está bom. É como pegar um carro cuja concepção está superada e tentar botar uma inovação aqui e ali. Isso tem um limite. Chega uma hora em que é preciso repensar do zero ou buscar uma concepção totalmente diferente, ir à raiz dos problemas e não ficar na superfície.

Com formação em Administração e Psicologia, e tendo treinado mais de 30 mil executivos, o senhor pode afirmar que fatores emocionais influenciam na tomada de decisões dentro das empresas?
Totalmente. O fator emocional está muito presente, mas há uma certa negação. Já provocamos simulações de reuniões em que ficou evidente que a emoção sentida pela pessoa, devido a um comentário anterior não muito favorável que fez com que ela tivesse um comportamento na reunião do processo decisório que não podemos chamar de lógico. E um observador atento vai ver que ela estava fazendo uma série de comentários movida pela irritação despertada pelo comentário anterior. Mas há que considerar também o modelo mental, o software da pessoa, que é a cultura que ela traz, toda a formação que está embutida no software que ela leva às reuniões. As teorias e verdades que a pessoas traz vão interferir no processo decisório.

E este conhecimento pode ser aplicado a qualquer profissional, ou aos jovens que ainda não se decidiram pela carreira que irão seguir?
Quando você se sensibiliza com aquilo que acontece lá na frente, tem condições de começar a se preparar adequadamente desde agora. Um jovem me questionou sobre como aliar o sucesso à qualidade de vida. Há pessoas com grande sucesso do ponto de vista econômico e que vivem permanentemente em estresse, doentes. Então parece que não valeu a pena. Mas há outras pessoas que têm grande sucesso financeiro, mas mantêm uma qualidade de vida excepcional. Observar isso exige uma decisão agora de não querer entrar nesta jornada de sucesso a qualquer preço, e definir alguns princípios que façam com que toda a evolução na carreira seja saudável desde o começo e durante a jornada.

O que deve fazer parte da rotina de qualquer profissional?
É preciso fazer com que as pessoas trabalhem por uma causa que transcenda os interesses pessoais. É importante, em todas as profissões, manter a idéia da consciência do que se faz. E isso passa pela questão da ética, do meio ambiente, da justiça econômica e social. Na busca pelo sucesso, muitas organizações podem estar, por excessos cometidos na competição, gerando guerras na outra ponta. E poucos estão conscientes disso. Não percebem a conexão do jeito de fazer negócios com a geração de guerras e violência.

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