Mudança de índice falseia inflação
Assim fica fácil controlar a inflação. É só excluir da planilha os itens que puxam a média para cima. Se a proposta do ministro da Fazenda Guido Mantega emplacar, dois fatores que pesam na composição dos preços, alimentos e combustíveis, serão tratados separadamente. O ministro não acha que vai falsear a realidade, tampouco considera isto uma mudança na metodologia. Diz ele: Não é mudança. É deixar a (metodologia) que está aí e acrescentar uma indicação que tire alimentos e combus-tíveis. Para quem domina a linguagem cifrada, o ministro foi claríssimo.
Mais de 20 anos atrás, o ministro da Fazenda na época, Antonio Delfim Neto, pensou em expurgar o chuchu do grupo de alimentos. Por uma razão pontual, o chuchu subiu muito e exerceu influência sobre a média. Expurgar, por uma exceção muito forte, um caso isolado, não seria sensato; mas seria defensável tecnicamente para não mascarar o indicador. Além disso, o chuchu não tem expressão na mesa do consumidor. Porém, o que se tenta fazer agora não é expurgar: é escamotear a realidade de um índice, afinal são dois fatores de cálculo importantes: alimentos e combustíveis.
Mantega, porém, tocou num ponto importante: o Brasil precisa resolver dois problemas: a indexação na economia, provocada pelos preços administrados e o impacto causado pelas commodities na economia. Para pensar em meta de inflação mais baixa, sem prejudicar o País, é preciso fazer alguns ajustes na economia. Um desses ajustes, de acordo com Mantega, diz respeito ao fato que parte importante da economia brasileira é indexada, carregando uma inércia inflacionária que passa de um ano para outro. São as tarifas indexadas ao IGP-M. E, muitas vezes, o IGP-M traz a influência das commodities e do câmbio, explicou. Isso é principalmente energia elétrica, tarifas de serviço público que são um terço dos preços da economia brasileira. Esses são problemáticos. Este tema já foi discutido em nível acadêmico e o ministro pode retomar o esforço para a desindexação. Mas vai encontrar dificuldade nos cálculos de reajuste dos salários.





