Sem qualquer anúncio prévio, discutir o tema com as instituições privadas ou avisar jovens e famílias interessados, o governo federal decidiu mudar as regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O assunto, como não poderia deixar de ser, causou polêmica entre a sociedade e deixou todos os envolvidos insatisfeitos.
Por meio de três portarias, baixadas em dezembro e logo após as eleições, foram estabelecidas novas regras, como pontuação mínima no Exame do Ensimo Médio (Enem) – definido após a aplicação desse teste; fixou um novo calendário para os repasses às instituições privadas; e ampliou o intervalo mínimo de 30 para 45 dias para efetuar os repasses de pagamentos. Por enquanto, também não abriu o orçamento para o segundo semestre e, portanto, só estão garantidas aos participantes as mensalidades destes primeiros seis meses.
Talvez seria mais interessante discutir medidas de aprimoramento do programa. Mudar as regras do jogo com a partida em curso prejudicará milhares de estudantes que não têm condições de arcar com as mensalidades. Os programas educacionais como o Fies e o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) foram alguns dos alicerces da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). Mudar as regras agora pode ser considerada uma espécie de traição aos eleitores que optaram por Dilma porque confiaram na manutenção do programa tal como vinha sendo executado.
O Fies beneficia grande contingente de estudantes – saltou de cerca de 76 mil em 2010 para 700 mil em 2014 – e o "boom" da educação superior pode ser creditado à ampliação dessa iniciativa. Também é importante porque aumenta o percentual de trabalhadores com curso superior o que, em tese, melhora o rendimento dessas pessoas no mercado de trabalho.
É óbvio que essas mudanças foram feitas com o intuito de gerar ao caixa ao governo. Fazem parte das medidas de ajuste fiscal anunciadas pela equipe econômica e necessárias para equilibrar o orçamento federal. O problema é a forma como foi feito, a falta de transparência.

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