A maioria dos brasileiros deixou de gostar do MST, que já teve 70 por cento de popularidade e hoje exibe índice idêntico de rejeição. O Movimento dos Sem-Terra perdeu o bonde da história. Em menos de seis meses inverteu os índices das pesquisas de opinião, que eram bastante favoráveis. Hoje, mais de 70 por cento da população desaprovam sua atuação. Quase o mesmo total de brasileiros consideram que o MST perdeu a referência, a identidade.
Números indicativos da receptividade da população em relação aos sem-terra pousam em algumas mesas do governo Fernando Henrique. Têm sido analisados com muito cuidado. A pesquisa foi encomendada exatamente para medir o tamanho do estrago que teria feito o movimento na reeleição de Fernando Henrique. Mediu-se na verdade os estragos provocados no MST pela ação do governo na área de reforma agrária. A queda da popularidade do movimento - o MST atingiu seu ápice em abril de 1997, com a emocionante marcha sobre Brasília - coincidiu com as invasões a esmo e os saques a caminhões e armazéns no Nordeste.
Quase 70% da população - o índice praticamente se repete em quase todas as questões sobre o MST - desaprovam as invasões. O povo brasileiro é pacífico, interpretam assessores do presidente Fernando Henrique. Um dado ainda mais impressionante deixou os analistas de orelha em pé: a pesquisa indica que a maioria da população deixou de considerar justa a causa dos sem-terra.
A marcha sobre Brasília não foi esquecida, mas o mesmo número de quase 70% mostra que a opinião pública acha que o MST está muito mais preocupado com questões políticas do que com resultados sociais de sua atuação. Na política, o MST é associado ao PT por quase 55% dos entrevistados. É o que mais incomoda o candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Na última semana de julho, a ausência de Lula foi sentida na festa promovida pelo Movimento no Pontal do Paranapanema.
Estavam lá mais de 1,5 mil pessoas para comemorar o Dia do Lavrador e protestar contra a condenação de oito sem-terra pela Justiça de Pirapozinho, em São Paulo. Lula preferiu não arriscar.
Lula está sendo acusado de omisso e moderado. O líder José Rainha Júnior, criador do MST, defende mudanças na campanha. Como quem entende de marketing político, Rainha diz que Lula deve adotar postura mais agressiva e radical diante das questões nacionais. Como ele.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília

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