MST expulsa assentado e acusa sindicalista
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sábado, 26 de julho de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do assentamento Iraci Salete expulsou, na semana passada, um dos assentados. O proprietário em questão é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bela Vista do Paraíso, cidade a 40 km ao norte de Londrina e foi acusado pelo movimento de envolvimento em um esquema de comercilização de lotes no assentamento e não se enquadrar nas regras exigidas pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) para obtenção da terra.
O assentamento, fundado em 1991, abriga 60 famílias em lotes de 5.8 alqueires. Segundo Sebastião Cardoso, um dos coordenadores do assentamento, Arnaldo Nascimento de Jesus teria articulado a venda de quatro áreas no ano passado. ''Ele é um oportunista que se aproveitou das famílias para organizar uma associação que depois descobrimos que era para vender lotes'', acusa.
Cardoso não soube afirmar quanto as transações custaram e alegou que todas as áreas foram recuperadas. A versão de outros assentados, contudo, diz que apenas duas áreas foram devolvidas aos antigos donos e as outras continuam tocadas pelos compradores. Um dos negócios desfeitos envolveu um gerente comercial do município vizinho de Alvorada do Sul. A reportagem encontrou o comprador, mas ele negou que o negócio tivesse sido realmente fechado e se recusou a falar sobre os valores.
A aquisição do lote do sindicalista, em 1999, também é irregular. Nascimento é presidente do sindicato desde a fundação do assentamento, tem casa própria e, segundo a coordenação, não residia no seu lote, o que é obrigatório. ''Ele só vinha aqui fazer churrasco com os amigos'', afirma Cardoso.
Ele não esconde, entretanto, que o sindicalista foi colaborador do movimento e não explica com clareza como ele conseguiu a área com esse perfil. Segundo Cardoso teriam ''sobrado'' alguns lotes e ele foi assentado com a concordância da comunidade. Uma nova família já foi assentada no lote de Nascimento.
O sindicalista nega envolvimento na venda das áreas e rebate as acusações. Segundo ele, as vendas aconteceram com o aval da coordenação do assentamento e sua expulsão foi motivada por divergências políticas. ''Nunca participei disso, sou contra a venda, eles estão criando irregularidades'', afirma. Segundo ele, as divergências começaram há seis meses por conta de uma associação criada por ele dentro do assentamento e das novas disposições do sindicato em participar da discussão sobre a reforma agrária.
Nascimento não nega, entretanto, que tem casa própria e emprego e que não residia em seu lote. Ele afirma, contudo, que ia diariamente à área, atualmente com 3 alqueires de milho e café. ''Tenho direito de ter casa, quero minha terra para quando ficar velho e sair do sindicato'', argumenta. Ele diz que não pretende voltar ao assentamento mas vai pedir nova área ao Incra.


