Movimento promoveu passeatas e exigiu cassação
Para o presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Pé Vermelho! Mãos Limpas! criada a partir do Movimento pela Moralização na Administração Pública de Londrina Claudemir Molina, o reestabelecimento da elegibilidade de Antonio Belinati (sem partido) sem nenhuma decisão judicial sobre o escândalo AMA/Comurb fará com que o ex-prefeito retome a carreira política se fazendo de vítima. Ano que vem ele (Belinati) tem os direitos políticos reestabelecidos e vai aparecer no processo eleitoral se fazendo de vítima. Não se trata de inocência, mas de demora no julgamento das ações que denunciam os desvios, criticou. Eu vejo com grande tristeza (a elegibilidade de Belinati) porque as pessoas acabam se escondendo atrás do princípio de inocência, aproveitando a morosidade da justiça através de inovações legislativas feitas aparentemente por encomenda de políticos corruptos. A luta continua e a gente percebe que ainda está longe do final esses processos, complementou Molina.
Formado em 1999, por mais de 80 entidades da sociedade organizada, o Movimento da Moralidade, como ficou conhecido, promoveu dezenas de passeatas, panfletagens e atos públicos para levar ao conhecimento da população, as denúncias de desvio de dinheiro público levantadas pelos promotores de Defesa do Patrimônio Público e das comissões de investigação formadas na Câmara de Vereadores. Acho que o Movimento teve participação importante tanto no apoio ao MP como, principalmente, cobrando posicionamento, fiscalizando os vereadores, exigindo que se posicionassem de forma clara e não ficassem se escondendo atrás de votações secretas, afirmou Molina, se referindo à discussão sobre o voto aberto ou fechado que envolveu a sessão de cassação.
Não confiávamos no posicionamento dos vereadores. Só fomos ter certeza (da cassação) após o sim do vereador Orlando Bonilha. Pouco antes da votação, ele (Bonilha) se retirou do plenário e passou por baixo da galeria. Isso nos deixou revoltados, achando que ele não iria votar, mas depois ele voltou e deu o voto favo-rável, relembrou.
Para Molina, a mobilização da sociedade foi importante para o encaminhamento da decisão política. Já se passaram três anos e até hoje nenhuma definição dessa situação. Se fôssemos esperar uma decisão jurídica com certeza ele terminaria o mandato e levaria mais uns dez anos, afirmou. Todo sofrimento não foi em vão, as pessoas não aceitam mais atos de corrupção. Tenho certeza que futuros administradores da cidade terão que tomar muito mais cuidado, finalizou Molina.





