Movimento pelo Norte: uma briga pacífica
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de janeiro de 1997
Antonio Belinati 
Há muitos anos sinto grande admiração pelo arquiteto Jaime Lerner, um dos brasileiros de maior conceito em nosso país. Em 85, fui o único parlamentar a apoiar sua candidatura à prefeitura da capital do Estado. Mais tarde, eleito prefeito de Londrina, contratei os serviços profissionais de Lerner, para implantar aqui o nosso Calçadão. O engenheiro Cássio Taniguchi, hoje prefeito de Curitiba, esteve inúmeras vezes na cidade fazendo o acompanhamento da obra.
No pleito municipal do ano passado, fui honrado com o importante apoio do nosso governador à minha candidatura a prefeito, quando me elegi para o terceiro mandato.
Sou um dos brasileiros que acreditam ser Jaime Lerner o homem com as qualificações indispensáveis para ser o futuro presidente do Brasil.
Apesar de estar na condição não só de aliado político de Lerner, mas de carregar as responsabilidades de ser o administrador da terceira maior cidade do Sul do país e marido da vice-governadora Emília Belinati, tive a coragem, em entrevista a diversos veículos de comunicação, de pedir que Jaime Lerner mude sua postura política e inclua lideranças do Norte do Paraná no seu secretariado. Destaquei que, em 45 anos, esta é a primeira vez que nossa região não é contemplada com funções de secretário estadual.
Sou muito grato ao apoio que recebi de Lerner nas últimas eleições, mas sinto, como amigo do governador, que tenho o dever de alertá-lo para o sentimento dominante nesta importante região do Estado que lideranças do Norte no primeiro escalão do governo. O governador, não tenho dúvidas, será no futuro fartamente cobrado e o peso da fatura política será alto, caso mantenha a decisão de dispensar a presença da nossa região no seu governo.
Não queremos
privilégios, só
aquilo que Londrina
e região têm direito
Nosso Movimento pelo Norte é suprapartidário. Não há nomes a serem indicados, mas sim a expectativa de efetiva participação. Infelizmente, quando saiu na imprensa minha primeira manifestação sobre o assunto, alguém do Palácio do Iguaçu, sem nenhuma habilidade política, utilizou os serviços de um bajulador de plantão para me atacar através da imprensa. Não teria sido mais prático fazer uma ligação e discutir diretamente comigo essa questão de tão grande relevância? Não teriam argumentos para tentar me convencer que estava equivocado? O caminho que o palácio buscou, mais do que nunca, despertou em mim a vontade de marcar, não um recuo da minha posição, mas a data para a realização do encontro, que ocorrerá no dia 21 de fevereiro.
Nosso movimento não é contra pessoas, cidades ou regiões, mas a favor do fortalecimento do Norte do Paraná. Não queremos privilégios, só aquilo que Londrina e região têm direito. Vamos, com coragem, sim, cobrar mais atenção também do governo federal, que ultimamente quase não tem devolvido em obras e benefícios o total de impostos que saem daqui direto para os cofres de Brasília. Queremos respeito de todos!
Como coordenador desse movimento vou me empenhar ao máximo para evitar que suas finalidades sejam distorcidas ou sirvam de instrumento para futuros postulantes ao Palácio Iguaçu, nas eleições do próximo ano.
Esta é uma briga pacífica, uma briga de propósitos bem definidos, que será travada em nome de 2 milhões de pés-vermelhos. Não se trata de querer pregar a divisão do Estado, nem de falar mal de Curitiba. No fundo, nosso movimento é mesmo um grito de alerta em defesa de uma região tão abençoada - o Norte do Paraná.
- ANTONIO BELINATI (PDT) é prefeito de Londrina.


