Movimento contra a CPMF
Vários setores da economia estão reagindo à ideia do retorno da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, o imposto sobre o cheque, conhecido pela sigla CPMF. Ontem foi a vez da construção civil, um setor forte e respeitado pela sua função social como gerador de empregos. A notícia deve estar em toda a imprensa hoje. A construção aderiu ao grupo de oposição à recriação da CPMF, ao lado de segmentos que já se posicionaram em apoio à Confederação Nacional da Indústria (CNI), que lançou o movimento.
Na verdade, poucos aderiram até agora. Mas vale lembrar que os empresários em geral costumam aceitar passivamente medidas oficiais, mesmo quando são descabidas, como é o caso, e lhes criem problemas. Faltava ao setor personalidade e união para se posicionar. Agora, finalmente, há um pequeno esboço de reação pelo descontentamento geral. Talvez porque a CPMF represente um abuso. A tentativa de recriar também representa um abuso. O setor produtivo sabe que não basta repassar o imposto na mercadoria; tem que defender o consumidor, em últimaa análise o pagador de todos os tributos.
A criação da CPMF não é uma medida definitiva. Após as eleições, o governo vem sinalizando de forma indireta a intenção de recriar a contribuição no ano que vem, extinto após votação no Senado em 2007, uma das poucas derrotas políticas do governo Lula no Congresso. Conforme lembra o repórter Mário Sérgio Lima, Lula reclamou na semana passada que a Saúde perdeu, com o fim da CPMF, R$ 40 bilhões ao ano.
Alguns governadores eleitos também manifestaram interesse na recriação do tributo para aumentar as verbas para a Saúde. Até o momento, a presidente eleita, Dilma Rousseff, ainda não assumiu formalmente uma posição a favor da volta da CPMF. A CNI informou ter encaminhado documento a todas as associações setoriais e às federações estaduais da indústria com alertas sobre o possível impacto negativo da medida para a competitividade.





