Não tenhamos receio de festejar as alegrias da vida, porque elas estão presentes mesmo nas atribulações. Basta que fiquemos atentos. Neste tempo de Natal, vamos nos lembrar dos ensinamentos do Mestre e segui-los até onde conseguirmos, se não for possível por inteiro. Esta é também uma forma de celebração. Jesus, a razão das festas do Natal, apreciaria se crescêssemos com ele e não ficássemos tão apegados em glorificá-lo, porque isso não levará a nenhuma elevação se não houver a compreensão de que vibramos na mesma consonância e que somos iguais a ele. Revelação que ele próprio nos deixou e que tem repetido com frequência. Um dos seus lamentos é o erro da humanidade em acreditar que só ele era dotado de poder crístico, quando, no seu dizer, o que ele fez em sua passagem terrena não foram milagres mas o exercício de um atributo inerente a cada um.
Antes de Jesus, muitos outros já haviam conseguido alcançar o completo domínio do estado crístico - ele que foi o 49º avatar a personificar essa plenitude na fisicalidade - e que o homem, por vontade exclusiva, não permitiu a expansão de sua próprio perfeição. Até porque preferiu acomodar-se nas sombras do desconhecido e não desejou sair dessa condição. Elegeu um salvador e encarregou-o de cuidar dele, e assim permaneceu em sua comodidade, transformando-se numa adorador cheio de incertezas ao invés de um sábio caminhante e descobridor da estrada.
As pessoas dizem ''Vem, Jesus'' ao invés de dizerem ''Estou indo''. Chamar é sempre mais confortável do que mover-se. Porque Jesus - que podemos chamar de nosso irmão mais velho - nos acena com a senda mas não move nossos passos, até porque não interferirá em nosso livre arbítrio. E porque é do glorioso destino do homem encontrar o caminho, mais cedo ou mais tarde, salvo que já está em sua essência. O atraso ou o avanço nessa caminhada dependerá apenas de cada um e de sua fé.
Fé é a impulsão de ir ao encontro e, nessa ida, estarmos conscientes de nossa iluminação e de nosso poder. E se crescemos nessa crença, acabaremos também por alcançar os bens terrenos, que não constituem um mal e sim um desfrute das dádivas que nos foram dispostas. Este é um tempo de repensarmos nossos passos. Entendamos uma coisa: Jesus não nos conduzirá a lugar algum se não queremos ir. As nossas causas, temos de entregá-las às nossas próprias mãos e crermos em nosso poder, porque ele é imanente do poder divino que habita em nós. E aí Jesus caminhará junto e nos ajudará.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup