Depois do acidente com duas mortes provocado pelo deputado Fernando Carli Filho, que dirigia alcoolizado, em alta correria e com a carteira de motorista suspensa - resultado de duas dezenas de multas por excesso de velocidade - o destaque de ontem deste Jornal foi a revelação de que outros 18 parlamentares estaduais estão impedidos de dirigir, por acúmulo de infrações. Eles alegam que as irregularidades foram cometidas por seus motoristas, e até que ponto isto for verdade não anula a responsabilidade de quem era conduzido no veículo.

Se fosse apenas um ou dois os abusos se poderia supor que houve descuidos ocasionais, mas há deputados com mais de 200 pontos na carteira e vários outros com mais de 100, significando que as infrações se repetiam, e os deputados - conduzidos ou dirigindo - sabiam do que ocorria. Barbaridades que não se admite de ninguém e muito menos de homens públicos, que deveriam dar exemplos de boa conduta e/ou impor discliplina rígida aos seus motoristas.

E sábado à noite outra tragédia aconteceu, desta vez em Londrina, com quatro mortos e ferimento gravíssimo em outra pessoa. O causador do acidente foi um condutor de 33 anos, pilotando uma camioneta e que também estava sem carteira de habilitação. Foi na estrada que leva ao distrito de Warta, como resultado de uma ultrapassagem imprudente desse motorista. Todas as vítimas pertencem a uma mesma família e iam para uma festa de aniversário. Em momento de clima festivo, a irresponsabilidade de alguém ao volante gera uma fatalidade. Esse caminho já é por natureza perigoso, reclamando duplicação, por isso o cuidado tem de ser maior e não permite manobras que ofereçam risco. O choque foi frontal. Ausência do porte de carteira já tem o indicativo de irregularidade, deixando supor que o condutor nunca a teve ou não a leva consigo para proteger-se de fiscalização por vencimento de validade. Somando-se a imprudência dos condutores - mais parecendo pessoas que desprezam a própria vida e a dos outros - com trechos de tráfego perigoso, as tragédias são favorecidas e podem acontecer. É portanto, um risco calculado, não sendo demais dizer um crime.

Maus motoristas são grandes agentes da violência do trânsito e já não se tem palavras para dizer quais as medidas de repressão e educação a tomar ou se a necessidade é curar distorções de consciência. Punição já não ameniza dores depois que o mal foi feito. Também o poder público tem suas culpas, porque ruas e rodovias secundárias têm deficiências de sinalização e facilitam acidentes. A questão tem raizes profundas e remete fundamentalmente para a irresponsabilidade de tantas pessoas.

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