Motoristas não conseguem fazer nova paralisação
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
Leandro Donatti Equipe da Folha 
Curitiba - Os motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana que promoveram na semana retrasada a paralisação do sistema de transporte coletivo da Capital não conseguiram reorganizar uma nova greve ontem à noite, como pretendiam. A assembléia marcada para às 20 horas, que iria deflagrar uma nova paralisação do sistema, foi cancelada na última hora por dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que está prestando assessoria ao movimento grevista, dissidente do Sindimoc.
A CUT alega que o sindicato oficial da categoria e a Urbs, a empresa que gerencia o transporte coletivo, se uniram para desmobilizar o grupo. Eles contrataram pessoas que estavam dispostas a promover quebradeira durante a nossa assembléia. Achamos por bem adiarmos as discussões para não sermos acusados de promover a desordem, disse Florisvaldo de Souza. O dirigente sindical reclamou ainda de um ofício distribuído pela Urbs, proibindo a realização da assembléia na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade, ou em qualquer lugar público.
Estão negando o nosso direito de discussão salarial. Fizeram terrorismo. Foi uma atitude autoritária, classificou Souza. Ele disse que uma comissão de motoristas e cobradores, mais representantes da CUT, vai se reunir hoje para definir uma estratégia. O clima entre os motoristas e cobradores que comandaram o movimento grevista era de medo de represálias e de apreensão.
A Polícia Militar informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que haveria reforço do patrulhamento na região central, especialmente na Praça Rui Barbosa onde ocorreu o maior tumulto na semana retrasada e nos terminais. O policiamento seria feito pela Companhia de Choque. A polícia alertou que manifestantes que tentassem impedir a circulação dos ônibus ou fossem surpreendidos depredando veículos seriam presos em flagrante.
Na última paralisação, ônibus foram depredados e tiveram os pneus furados no meio da rua, contabilizando, segundo a Urbs, um prejuízo de R$ 500 mil, além dos R$ 1,4 milhão referentes às tarifas que deixaram de ser cobradas.
A Urbs alegou estar baseada no Código de Trânsito, que proíbe concentração de pessoas que possa interferir no tráfego de veículos. E negou que tivesse contratado pessoas para promoverem desordens.


