Motoristas e sistema viário
Melhorar a qualidade dos motoristas pelo aumento do número de aulas teóricas, exigíveis para obtenção da carteira de habilitação. Esta é a excelente proposta anunciada pelo Sindicato dos Proprietários de Centros de Formação de Condutores do Paraná para ser feita ao Conselho Nacional de Trânsito. A sugestão se fundamenta no grande número de acidentes provocados por imprudência, inabilidade e desinformação das pessoas que dirigem, havendo portanto necessidade de formar melhor as que vão ingressando nesse universo de condutores de veículos, porque hoje é fácil demais obter carteira. E se o motorista é negligente, o pedestre não fica atrás em seu comportamento em meio ao fluxo urbano. Um mau pedestre não será diferente estando ao volante porque a questão envolve educação e formação de personalidade, algo que se aprende primeiramente em família e na escola.
A proposta é um primeiro passo para melhorar o candidato a motorista; o outro é que, aquele já legalmente habilitado, tome consciência de que, ao assumir o comando do carro, está deixando a condição de pessoa comum para converter-se na própria máquina porque esta fará o que o seu condutor determinar. Na seção de Cartas de ontem deste jornal, um cidadão manifesta-se a respeito e faz dura crítica à conduta dos motoristas (referindo-se a Londrina). Cita que as principais irresponsabilidades são o desrespeito aos semáforos e à faixa de pedestres, à excessiva velocidade, às conversões erradas e ao estacionamento em zonas proibidas. Menciona a falada indústria de multas, que supostamente haveria, argumentando que se tal mesmo exista, é por culpa do excesso de motoristas irresponsáveis à solta na cidade, fazendo com que o poder público se aproveite da existência deles para engordar seus cofres.
Se há fundamentada razão quanto ao comportamento dos maus motoristas, também é certo que a administração pública é tão negligente quanto eles, porque não desempenha a contento a incumbência que está sob sua responsabilidade. No caso de Londrina, o sistema está confiado a funcionários e não a técnicos, como se o volante de um veículo fosse entregue a um adolescente. Pouco tem sido feito para melhorar uma das questões mais delicadas da cidade, que é o seu fluxo (e o estacionamento) de veículos. Como nada mais de grande proporção poderá ser feito na atual administração, face ao pouco tempo que resta, os potenciais futuros administradores já devem ir pensando na contratação de uma equipe especializada para a reformulação do sistema viário desta cidade de 170 mil veículos automotores e de muitos problemas no setor.





