O risco de combinar sono e direção ficou evidente na pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, a Abramet. O estudo apontou que a sonolência é a terceira maior causa de acidentes de trânsito no País, ficando atrás apenas do uso de álcool e drogas e do excesso de velocidade. Qualquer cochilo, mesmo a famosa "pescada", pode fazer o veículo avançar dezenas de metros na estrada e sair do controle. O problema é muito sério e pior entre os motoristas profissionais. Quem viaja com frequência sabe como pode ser cansativo e monótomo, principalmente, quando se está sozinho no veículo.

Na pesquisa, a Abramet descobriu que 60% dos acidentes envolvendo profissionais ocorrem por sonolência e fadiga. Especialistas ouvidos pela FOLHA de Londrina explicaram que a origem do problema geralmente está na privação ou na má qualidade do sono. A primeira ocorre quando dorme-se uma hora ou mais abaixo da necessidade diária. Já o sono de baixa qualidade pode ser consequência de distúrbios como a apneia, que consiste em paradas momentâneas da respiração.

Caminhoneiros estão mais suscetíveis ao problema. São comuns os relatos de corridas contra o tempo na estrada para cumprir prazos de entrega, o que impede períodos de descanso adequados. Na tentativa de diminuir o índice de acidentes, desde 2015, o Código de Trânsito Brasileiro veda ao motorista profissional passar mais de cinco horas e meia ininterruptas dirigindo veículos de transporte de carga ou passageiros. Motoristas de caminhão e de ônibus devem observar intervalos de descanso a cada seis e quatro horas, respectivamente. A mesma lei alterou a CLT, que determina que a jornada diária do motorista profissional deve ser de oito horas prorrogáveis por até quatro horas, dependendo do acordo.

Mas a realidade nas estradas é diferente. Há casos de jornadas de até 48 horas e na tentativa de vencer o cansaço, muitos motoristas acabam usando drogas como anfetaminas e cocaína. Não é à toa que a renovação das categorias de habilitação profissional inclui exames médicos que procuram por sinais de doenças do sono.

Não se pode desprezar a gravidade de pegar a estrada cansado. Quando se junta à direção, o sono é tão perigoso quanto a bebida alcoólica. Os motoristas também precisam ser conscientizados e, nesse sentido, campanhas de esclarecimento também deveriam ser utilizadas pelo poder público e outras entidades.

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