Motivos para desonerar a carne
O governo perdeu grandes oportunidades para desonerar a carne. Agora terá-de fazê-lo sob pena de ver o consumo interno desabar em menos de três meses. A carne, como os demais itens da cesta básica, paga um imposto absurdo: entre 17,4% e 17,5%. É uma estupidez porque os impostos punem também arroz e feijão, que são os básicos do básico. E é uma burrice porque a redução do imposto poderia elevar o consumo, resultando no mesmo volume de arrecadação só que de uma forma inteligente, com o consumidor se alimentando melhor e o produtor vendendo mais. Dinheiro girando e oxigenando a economia no interior.
Quando a previsão para a carne, o que se tem de novidade nas análises não é exclusivo do Brasil, porém inclui o cosumidor brasileiro. O preço alto tornará a carne um artigo de luxo - dizem os técnicos em tendência de mercado. O repórter Mauro Zafalon acompanhou o Congresso Mundial de Carne, em Buenos Aires. Quem quem deu o recado foi o secretário de Agricultura e Pecuária da Argentina, Lorenzo Basso. Trata-se de alguém suspeito, convenhamos, mas que não está sozinho nessa avaliação, pois é a opinião da maioria dos analistas, inclusive brasileiros, que participaram do evento, ontem.
Não é por acaso que a carne mudará de patamar. Após quatro anos de dificuldades provocadas por baixos preços e excesso de abate de fêmeas, o cenário está mudando para a cadeia da carne. A demanda mundial é crescente e os preços sobem.
Essa alta vai chegar ao consumidor de forma permanente. A inserção de novos consumidores de países emergentes é apenas um dos motivos dessa elevação de preço. Mudanças no clima, novas exigências de sustentabilidade e perda de espaço da pecuária (em relação a outros produtos) também elevam os custos de produção. Para ficarmos apenas no aumento da demanda, eis um dado interessante. Em três anos o consumo cresce 9% nos países emergentes.





