Motivos da irracionalidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Luiz Edgard Bueno 
Alarmantes os índices de criminalidade que invadem nossa cidade. Transitando pelas carências de todos os tipos, ou pela carência de um planejamento melhor nesta área - a da segurança - nos vemos cada vez mais entristecidos com tais fatos.
Mas deveríamos - além de cobrar das esferas políticas envolvidas - atentar para alguns detalhes, sobre os quais temos responsabilidade direta.
Nas Escrituras - afirma-se de forma muito límpida e transparente: ''E por se multiplicar a iniquidade, o amor em quase todos esfriará''.
Um dos piores sinais do fim dos tempos, o esfriamento do amor verdadeiro que deveríamos nutrir pelo próximo.
Quando os poderosos ''chefões'' - da chamada e oculta, Máfia da Violência Doméstica - se instalam em seus intocáveis tronos, seja nas favelas ou nas mansões - sementes do pior dos joios, que são plantados sobre o jardim chamado Londrina e sobre a grande (não já tão grande) floresta denominada mundo, algo pode ocorrer em grande escala... e muito devastador.
E isso se alastrou em nossa cidade. Ao lado da marvada pinga nos piores barracos que entenebrecem a dignidade ou nas mais suntuosas mansões beira-lago e locais nobres, e como companheiras garrafas de importados uísques, a violência contra esposas e parceiras se multiplica.
Lastimável idem a postura destas mulheres que se acomodam nas poltronas da comodidade, aceitando espancamentos de seus parceiros. Que eu saiba, a Delegacia da Mulher continua atendendo no mesmo lugar.
Algumas dirão - mas como me livrar das ameaças constantes? Como sair desta comodidade? Outras - caso eu o denuncie, quem me garante e à minha vida?
Querem saber? Caso denunciem estas atrocidades e todas as maracutaias que envolvem a substituição das vossas dedicações e amor exclusivo por jovens pares de azuis olhos e corações vampirescos, estabelecidos na chantagem da pior estirpe, esta corja de malfeitores - honoráveis ou não - se colocará no devido lugar e tentarão proteger seus ''imaculados nomes''.
Há alguns anos, uma senhora, cuja filha de 18 anos (e sem que ela soubesse, era de programa na capital de São Paulo), e a quem conheço há muitos anos me contou que a filha fora morta por um grupo de ''poderosos'' do Estado e que até hoje não sabe quem foram os autores de tal barbaridade e que a filha andava estranha mas não se abria.
Pois bem, voltando à violência em si e suas consequências funestas para toda sociedade e para nossa esperança, lanço este grito de indignação: seja quem for o que está sendo violentado, e por mais que se tenha medo das repercussões via mídia ou não, dê um passo em direção à vida, denuncie estes ou estas canalhas.
Um adendo - o Estado como um todo, tem obrigação de garantir aos queixantes a condição da proteção. Não permitam que o amor esfrie dentro de vocês, porque senão estará morta - a maior e mais digna das condições do ser humano - a de sentir - esperança.
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina


