Alarmantes os índices de criminalidade que invadem nossa cidade. Transitando pelas carências de todos os tipos, ou pela carência de um planejamento melhor nesta área - a da segurança - nos vemos cada vez mais entristecidos com tais fatos.
Mas deveríamos - além de cobrar das esferas políticas envolvidas - atentar para alguns detalhes, sobre os quais temos responsabilidade direta.
Nas Escrituras - afirma-se de forma muito límpida e transparente: ''E por se multiplicar a iniquidade, o amor em quase todos esfriará''.
Um dos piores sinais do fim dos tempos, o esfriamento do amor verdadeiro que deveríamos nutrir pelo próximo.
Quando os poderosos ''chefões'' - da chamada e oculta, Máfia da Violência Doméstica - se instalam em seus intocáveis tronos, seja nas favelas ou nas mansões - sementes do pior dos joios, que são plantados sobre o jardim chamado Londrina e sobre a grande (não já tão grande) floresta denominada mundo, algo pode ocorrer em grande escala... e muito devastador.
E isso se alastrou em nossa cidade. Ao lado da marvada pinga nos piores barracos que entenebrecem a dignidade ou nas mais suntuosas mansões beira-lago e locais nobres, e como companheiras garrafas de importados uísques, a violência contra esposas e parceiras se multiplica.
Lastimável idem a postura destas mulheres que se acomodam nas poltronas da comodidade, aceitando espancamentos de seus parceiros. Que eu saiba, a Delegacia da Mulher continua atendendo no mesmo lugar.
Algumas dirão - mas como me livrar das ameaças constantes? Como sair desta comodidade? Outras - caso eu o denuncie, quem me garante e à minha vida?
Querem saber? Caso denunciem estas atrocidades e todas as maracutaias que envolvem a substituição das vossas dedicações e amor exclusivo por jovens pares de azuis olhos e corações vampirescos, estabelecidos na chantagem da pior estirpe, esta corja de malfeitores - honoráveis ou não - se colocará no devido lugar e tentarão proteger seus ''imaculados nomes''.
Há alguns anos, uma senhora, cuja filha de 18 anos (e sem que ela soubesse, era de programa na capital de São Paulo), e a quem conheço há muitos anos me contou que a filha fora morta por um grupo de ''poderosos'' do Estado e que até hoje não sabe quem foram os autores de tal barbaridade e que a filha andava estranha mas não se abria.
Pois bem, voltando à violência em si e suas consequências funestas para toda sociedade e para nossa esperança, lanço este grito de indignação: seja quem for o que está sendo violentado, e por mais que se tenha medo das repercussões via mídia ou não, dê um passo em direção à vida, denuncie estes ou estas canalhas.
Um adendo - o Estado como um todo, tem obrigação de garantir aos queixantes a condição da proteção. Não permitam que o amor esfrie dentro de vocês, porque senão estará morta - a maior e mais digna das condições do ser humano - a de sentir - esperança.
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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