Portas fechadas e o drama do desemprego cada vez mais presente. Diante de uma situação como esta, fica difícil encontrar motivação para continuar a busca por uma vaga no mercado de trabalho. Com a falta de oportunidades, aumentam as chances da pessoa entrar em depressão, cai a auto-estima e junto com ela a vontade de procurar um emprego.
A orientação nessas horas é não baixar a cabeça e continuar na luta para entrar no mercado. ''É compreensível esta falta de motivação, porque é resultado do estresse, da frustração por não estar empregado. Mas não pode se isolar. A pessoa deve se comunicar, expandir sua rede de contatos. Não pode ficar parada, tem que correr atrás'', orienta o psicólogo do trabalho Sebastião Ovídio Gonçalves.
Foi o que fez o administrador de empresas Alexandre Pedotti, desempregado há três meses. Participando da última fase de um processo de seleção para ingressar em uma empresa, ele afirma que a autoconfiança é fundamental para driblar a falta de motivação.
''O desemprego acaba influenciando na questão da motivação, mas parte da pessoa. Tem que acreditar em você, na sua competência e ir atrás dos objetivos. O desemprego faz parte da realidade do país, tem que aprender a lidar com isso'', avalia.
Falta de motivação, no entanto, não é exclusividade de quem está fora do mercado. Um levantamento do Ministério da Previdência Social mostrou que 53% das pessoas que se afastaram do trabalho por motivo de doença estavam com depressão, fator ligado diretamente à falta de motivação.
''O primeiro sintoma é fisiológico: insônia, depressão. Você não consegue perceber para que lugar vai, se sente peça de uma máquina, que pode ser substituída a qualquer momento. O trabalho é fundamental na vida das pessoas. Tem que ter sentido, caso contrário a própria vida perde o sentido'', garante a psicóloga do trabalho Cristiane Vercesi.
Para ela, o primeiro passo para fugir desta situação é o auto-conhecimento, saber quais são os objetivos profissionais. ''Se não souber o que quer, pelo menos deve descobrir o que não quer. O que não pode é ficar dando tiro para todos os lados. Você pode estar em um nível de competitividade muito alto, mas se tem certeza que é aquilo que quer, as coisas negativas do trabalho não vão afetá-lo, porque você tem um objetivo definido'', explica.
Um ingrediente fundamental na questão da motivação dos funcionários é o reconhecimento por parte dos chefes e colegas de trabalho, que funciona como uma injeção de ânimo, aumentando a produtividade.
''É preciso se sentir bem no ambiente de trabalho, ver que está agregando valores para a empresa. Quando recebe elogios, a pessoa fica mais estimulada a realizar trabalhos desafiadores. Todo mundo sai ganhando'', explica Sebastião Gonçalves.
Mas a orientação para os funcionários desmotivados é não depositar toda a obrigação do incentivo nas empresas. ''Quando faz isso, o funcionário perde toda a motivação, porque fica só na expectativa. Deve existir um equilíbrio entre o que você quer e o que a empresa pode fazer para torná-lo ainda melhor enquanto profissional'', afirma Cristiane Vercesi.
Segundo a coordenadora de desenvolvimento de RH da Milenia Agrociências, Luciana Siqueira Fernandes, eleita uma das cem melhores empresas para se trabalhar no Brasil, a organização pode ajudar na motivação, mas a inciativa deve partir do funcionário.
''A partir do momento em que a empresa deixa claro onde quer chegar com aquele funcionário, estabelece metas e consegue motivar. Por outro lado, motivação é algo particular, que vem de dentro para fora. Não pode ficar esperando a ajuda do próximo'', complementa Luciana.

mockup