Mostrar gastos não basta. Que tal economizar?
Mostrar ao povo o que os deputados gastam é necessário - e é isso que, em parte, acontece a partir de agora no Paraná - mas não é revelar os gastos o mais importante e sim explicar porque gastar tanto. Nada mudará saber-se o volume das despesas com passagens, telefone, correspondência, moradia, hotel, refeições, combustível, manutenção de escritórios, impressão de informativos, contratação de pessoal, locação de software, TV a cabo, promoção de eventos e os salários.
Certamente os deputados imaginam que o povo é ingênuo e contenta-se só em saber quanto custa a Assembleia Legislativa, porque o grande questionamento é o exagerado gasto para a manutenção do corpo legislativo. O que vale para o Paraná vale para o Congresso Nacional e para a máquina pública como um todo.
Se a apregoada transparência resultar na conscientização dos deputados de que é preciso diminuir tão elevado custeio, então terá valido a pena esse programa. Do contrário, será apenas comprovar pela infovia aquilo que todos sabem: que é alto o custo da Assembleia e dos governos em todos os seus Poderes. O presidente da Casa, Nelson Justus, diz que há muito ainda por fazer, mas não se teve nenhum aceno até agora - e a ideia da transparência tem mais de um ano - de uma medida heróica de cortar profundamente as despesas. Então, tudo ficará como dantes, com a diferença de que o povo saberá o tamanho do consumo da máquina legislativa. Além do mais, o portal não mostrará a lotação dos funcionários e o número deles, assim como o nome das empresas que receberam dinheiro da verba de ressarcimento dos deputados. Isto talvez ocorra de forma reduzida.
Dizer-se - como estão afirmando alguns deputados - que seus gastos estão dentro da lei, não muda a situação dos exageros, porque se sabe que tais leis protetoras existem, mas estas foram criadas por eles (leia-se os parlamentos, em suas respectivas instâncias). E se algo é legal, não quer dizer que está moralmente correto, dentro da expectativa da população, carente de políticas públicas que supram o básico.
A opinião pública não é tão passiva e desinformada a ponto de aceitar que a mera transparência será uma implantação de moralidade. Não é ainda agora. Porque de há muito se sabe e se ouve da indignação popular que o custo da máquina pública é uma afronta ao contribuinte, que tem de sustentar tanto esbanjamento à custa dos impostos que paga.





