Hilariante que pareça e pouco recomendável nas regras do bom comportamento em sociedade, foi um reflexo da indignação popular imperante o entrevero entre um cidadão e um parlamentar acusado de corrupção fato ocorrido em presença de muitas pessoas no principal shopping de Londrina. O deputado almoçava, com a mulher, e ouviu de mesa vizinha alguém fazendo referência a ele e ao mensalão. Foi o suficiente para a reação de parte do casal. O parlamentar chegou a lançar um prato contra o manifestante. Um escândalo, não porém tão grave como a vergonhosa história do mensalão no Congresso Nacional. Todos os locais são adequados para a manifestação dos cidadãos e para cobranças públicas, e entre esses lugares estão os aeroportos (onde os parlamentares desembarcam nos fins de semana), defronte das residências deles ou mesmo na rua. Porque nos gabinetes é difícil chegar e no plenário dos parlamentos é proibido entrar. A assistência deve ter apreciado o espetáculo, enojada que está das histórias de corrupção envolvendo homens públicos, e não só parlamentares mas também integrantes dos demais Poderes, cujo exemplo mais recente e escandaloso é o de Tocantins. O que ocorreu em Londrina demonstra o estado de indignação em que se encontram as pessoas ante o comportamento dessa gente corrompida e que tanto prejuízo causa à nação. É uma revolta contida dentro de cada um e que às vezes extravasa, quando alguém mais corajoso resolve manifestar-se publicamente. É ao menos uma atitude transparente, que se contrapõe a cometimentos escusos de homens públicos, que fazem as coisas às escondidas e sob o manto protetor de muitas salvaguardas que, infelizmente, o status do poder propicia. Manifestações perante os parlamentares e governantes precisam ocorrer com frequência e de preferência em grupo e em qualquer lugar onde eles se encontrem. Os detentores de cargos eletivos devem ser cercados pelo povo inclusive nas ruas, especialmente no caso de prefeitos e vereadores. Isto deve ser feito principalmente por iniciativa das lideranças comunitárias, que são mais ágeis e mais articuladas e capazes de aglutinar o povo. Não é preciso que ocorra agressão verbal mas apenas o uso de boa instrumentação sobre as cobranças a fazer. O exemplo de Londrina pode virar moda, e se essas práticas frutificarem podem se converter em verdadeiras tribunas populares. Equivocam-se os que pensam que os homens públicos não têm medo do povo. O que ocorre é que a população não lhes faz cobranças, e assim eles se sentem seguros e confortáveis. E pior: achando que os cidadãos estão satisfeitos com o seu desempenho.

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