Mortes no trânsito: caso de saúde pública
O trânsito brasileiro é o quarto mais violento do continente americano, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), atrás apenas de Bolívia, República Dominicana e Venezuela. Cerca de 50 mil pessoas morrem por ano em acidentes no País e 400 mil ficam com algum tipo de sequela. Na última segunda-feira (16), uma tragédia com 11 veículos no KM 474 da BR-251, em Francisco Sá, no norte de Minas Gerais, deixou oito mortos. Em Mamborê, Centro-Oeste do Paraná, cinco pessoas morreram após o carro em que viajavam bater de frente com um caminhão. A suspeita da polícia é que o caminhoneiro envolvido no acidente estava participando de um "racha".
A imprudência ao volante é apontada como uma das maiores causas de acidentes graves no trânsito.
No ano passado, uma mudança no Código de Trânsito Brasileiro aumentou a punição para o motorista que causar morte dirigindo alcoolizado. A pena, que antes era de 2 a 4 anos de detenção, passou para 5 a 8 anos de reclusão.
No entanto, além da aumentar o rigor da lei, é preciso investir em ações educativas e de conscientização. A mudança da mentalidade no trânsito também passa por quebra de mitos e preconceitos, como mostra reportagem publicada pela FOLHA nesta terça-feira (17) que desmonta preconceitos presentes em frases como "mulher no volante, perigo constante".
Dados da Seguradora Líder, que administra o Seguro DPVAT, apontam que, apesar de comporem um terço dos brasileiros habilitados, mulheres recebem apenas um quarto das indenizações. Ou seja, 75% dos ressarcimentos são destinados a homens. Os números mostram que cautela na direção e respeito às leis de trânsito não fazem mal a ninguém.
Porém, mesmo sendo exemplos, as mulheres ainda enfrentam preconceito, às vezes até mesmo de outras mulheres, como relata Adrielle Batista, que há dois anos trocou o controle das catracas pela direção do ônibus do transporte público em Londrina. A profissão ainda é dominada por homens. Dos 900 motoristas da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), apenas 20 são mulheres.
Outro problema é a infraestrutura precária das vias urbanas e rodovias. O Especial Transmídia "A Bike e a Cidade", a FOLHA, trouxe um pouco do drama de ciclistas que, sem uma rede cicloviária eficiente, são obrigados a dividir espaço com veículos pelas ruas da cidade, uma convivência nada harmoniosa. Um exemplo de sucesso é Bogotá, na Colômbia. Com a construção de mais de 100 km de ciclovias em dez anos, a cidade reduziu em 47% a morte de ciclistas. São problemas que saltam aos olhos diariamente pelas ruas e que carecem de uma solução com urgência.





