Morte sem glamour
A morte precoce da cantora inglesa Amy Winehouse, sábado passado, aos 27 anos, é um dos principais assuntos da imprensa internacional e das mídias sociais. Não poderia ser diferente, pois nos rápidos sete anos de carreira da rainha do soul, a artista tornou-se um mostruário ambulante das consequências do consumo desenfreado de drogas, álcool e cigarros. A autodestruição foi pública, fartamente registrada pelos paparazzi e pelas câmeras de celulares que flagraram, em uma das últimas aparições para os fãs, a moça esforçando-se para lembrar as letras das músicas e também para manter-se em pé.
É normal que se comente a morte prematura da principal cantora inglesa revelada na última década. Mas que não se deixe esses comentários ofuscarem a responsabilidade de analisar o fato como uma tragédia. A derrota contra a dependência química é um drama pelo qual passam muitas famílias espalhadas pelo mundo inteiro. Elas lutam contra o assédio de traficantes e esperam muito tempo para conseguir uma vaga em uma clínica pública de tratamento especializado.
Quantas mães assistem à autodestruição de seus filhos? A luta para vencer a cocaína, o crack e o álcool de grande parte de brasileiros não passa pela televisão. É uma guerra particular, percebida pelos vizinhos, amigos de escola, de trabalho. Torna-se pública, geralmente, quando acaba no noticiário policial.
Pessoas que convivem com dependentes químicos não receberam com desdém a morte de Amy Winehouse. Não torceram um nariz como quem diz ''bem feito, ela foi avisada''. O tratamento desses casos é muito complicado, principalmente em um país como o Brasil, com poucos centros de tratamento gratuitos.
Os programas preventivos contra as drogas precisam ser incrementados e a população deve cobrar de seus dirigentes medidas eficientes e rápidas. Recentemente, a Coordenadoria Estadual Antidrogas divulgou um dado que mostra displicência das prefeituras em lidar com o problema. Segundo o órgão, dos 399 municípios paranaenses, apenas 34 haviam implantado Conselhos Municipais Antidrogas. Mesmo assim, nem todos realmente funcionavam.
A trajetória de Amy Winehouse pode ser um exemplo dos efeitos destrutivos do uso em excesso das substâncias químicas. Não existe glamour em morrer aos 27 anos, desperdiçando um talento brilhante. Também deveria ser um alerta às famílias e uma oportunidade para o Poder Público definir planejamentos e ações de combate às drogas.





