Morte de Chico Mendes completa 14 anos
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domingo, 22 de dezembro de 2002
Agência Folha 
Rio Branco - Hoje, muita gente no Brasil e no exterior, inclusive o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e a senadora Marina Silva (PT-AC), indicada para a pasta do Meio Ambiente, estará reverenciando uma das personalidades mais emblemáticas na defesa da preservação do meio ambiente na região amazônica: o líder seringueiro e ecologista Chico Mendes, assassinado há 14 anos por perseguir esse ideal.
Em conversa esta semana com o governador do Acre, Jorge Vianna, Lula relembrou a data e manifestou, de acordo com Viana, seu sentimento em relação à morte ''anunciada'' de Chico Mendes, no início da noite de 22 de dezembro de 1988, quando se encontrava no quintal de sua casa, em Xapuri, a cerca de 300 quilômetros de Rio Branco, sem camisa e com uma toalha em torno do pescoço.
Os dois policiais militares, que se encontravam no local, destacados pelo governo acreano para protegê-lo, não puderam fazer nada e o ecologista foi atingido por um tiro de escopeta dado por Darci Alves da Silva, filho de Darli Alves, mandante do crime e dono do seringal Cachoeira, desapropriado pelo governo por intervenção de Chico Mendes, para se transformar numa reserva extrativista.
A morte do ecologista, cujo trabalho teve reconhecimento, entre outros organismos, da Organização das Nações Unidas (ONU) também marcou a história de vida e profissional do juiz que conduziu o julgamento do crime, Adair Longuini, que, respaldado por um júri popular, sentenciou os dois, em 22 de dezembro de 1990, a 19 anos de prisão. Por causa da idade avançada Darli foi posto em liberdade, mas seu filho, Darci, está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, por medida de segurança, já que ambos tentaram fugir várias vezes da Penitenciária de Rio Branco. As informações são da Agência Brasil.
Durante o julgamento, que durou quatro dias, o futuro ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, atuou, gratuitamente, como assistente do promotor Eliseu Buchememeyer. O julgamento dos assassinos de Chico Mendes atraiu para a pequena Xapuri mais de 200 jornalistas brasileiros e estrangeiros, dezenas de ambientalistas, além do próprio Lula.


