O poder público tem se manifestado tantas vezes inimigo da nação brasileira e responsável por danos ambientais. Ou porque não policia, ou porque favorece cometimentos de crimes dessa ordem, ou porque é ele próprio o autor de projetos de devastação ou contaminação de reservas ecológicas. Agora, um destacado ambientalista Francisco Anselmo de Barros, 65 anos chega ao extremo da auto-flagelação e da morte, como gesto de inconformismo e desespero por assistir à elaboração de um projeto de lei que permite a implantação de uma destilaria de álcool e produção de açúcar na bacia do Alto Paraguai, região pantaneira de Mato Grosso do Sul. A ameaça a esse santuário da natureza é de iniciativa do governador José Orcírio Miranda dos Santos, que agora aguarda votação dos deputados. É de enorme gravidade a implantação de uma indústria dessas em lugar de preservação ambiental, porque emanará resíduos poluidores, embora a mentira de que existe tecnologia avançada para evitar prejuízo ao meio-ambiente. Orcirio defende o projeto argumentando com a geração de empregos e renda. Mas um lugar desses não é o adequado para uma usina poluente. Parece haver uma impulsão dos administradores públicos em favorecer a violentação ambiental, como fizeram um dia os governantes da última ditadura ao implantar a usina atômica de Angra dos Reis, situada nas proximidades de uma grande metrópole e das aprazíveis lagoas daquele ponto do Brasil. Agora é o Pantanal que está sob a fúria de um insensato governante, quando deveria ser ele, como guardião do Estado, o primeiro a rejeitar um tal empreendimento. Foi uma má hora elegê-lo se ele vinha para cometer tão desastrada intenção. Conclama-se mais uma vez, em momento como este, a intervenção das Forças Armadas, incumbidas da segurança nacional. Porque proteger o Pantanal, assim como proteger a Amazônia, é uma questão mais que de segurança interna, mas também de interesse da humanidade. Quando os patrícios agem com irresponsabilidade, como no presente projeto de lesa-pátria, incitam cobiças externas a apossar-se da grande floresta, para preservá-la ou apenas obter domínio estratégico sobre ela. Pergunta-se quem perfilará agora com os ambientalistas para sufocar essa idéia assassina de construir a usina naquele local. Esse intento, que deveria ser desviado para outra região do vizinho Estado, precisa ser abortado. Ademais porque a irresponsável proposta contraria a resolução 1/85 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, que suspende a concessão de licença para usinas dessa natureza nas bacias hidrográficas sob influência do Pantanal; e fere a Lei Nacional de Recursos Hídricos, que estabelece diretrizes para gestão desses recursos. Espera-se que o ato extremo de Francisco Anselmo a partir de hoje, com certeza, um novo mártir e um novo mito nacional e mundial da cruzada de defesa ambientalista não tenha ocorrido em vão. Enquanto isso, no Paraná o Governo persiste na política igualmente suicida de inundar áreas produtoras de alimentos, ao longo do rio Tibagi, para mover usinas elétricas.

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