Morte: caminhar com Deus do outro lado do caminho
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segunda-feira, 01 de novembro de 2021
Rodolfo Trisltz 
Para Deus, nenhuma vida é perdida. Nem as que ficam e nem as que vão. Por isso, o dia 2 de novembro, em que celebramos o Dia de Finados, é tempo de oração, de reflexão. De saudade, mas, sobretudo, de conexão com a Igreja Celeste, que compreende o grupo de pessoas que já atravessou uma etapa da vida e, conforme a crença cristã, desfruta das alegrias da vida eterna. O Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Norte do Paraná, na Vila Nova em Londrina, também é local de rezar pelos nossos entes queridos falecidos. Acender uma vela, trazer uma flor à Mãe Padroeira e fazer uma oração são alguns dos gestos mais simples e bonitos para nos lembrarmos, nostalgicamente, de quem já partiu desta vida.
Aliás, a morte é a única certeza que nós temos da vida. Diz o poeta que “a gente mal nasce e começa a morrer”, o que é verdade. Entretanto, ao longo da nossa jornada terrena, não nos preparamos para quando iniciarmos o nosso caminho celeste. Nunca estamos preparados para a ruptura que a morte traz. Quando alguém morre, ficam as lembranças e memórias, a saudade e a nostalgia da história que vivemos com que faleceu. Se soubéssemos lidar com essa perda, com essa separação, certamente a passagem da vida para a morte seria menos dolorosa ou trágica.
Tal qual eternizou em versos Santo Agostinho: “A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho”. De fato, este é o sentido da morte: caminhar com Deus de um lado diferente do qual estamos acostumados. Entretanto, esse outro lado do caminho ainda traz consigo uma série de mistérios, de dúvidas, de incertezas. Embora a Bíblia se refira à morte de diversas maneiras, guardadas as devidas contextualizações, Jesus foi muito claro quando conversou com um dos ladrões crucificados ao lado dele: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23, 43). Esse é o outro lado do caminho: o paraíso!
É isso que deve orientar nossa vida enquanto vivos. Buscar poder caminhar com Deus no paraíso do outro lado do caminho, tão logo morramos. E deixar, para os que ficam, a certeza de que estaremos exatamente ali, onde Cristo Jesus prometeu. Assim, a morte não deve ser uma preocupação de nós, cristãos, que acreditamos em Cristo, em sua ressurreição e na vida eterna. Ao contrário, deve ser motivo de fé. Até porque, se fôssemos levar ao pé da letra o significado da morte, descobriríamos que é, sem dúvida alguma, o encontro definitivo com Deus. E quem não gostaria de encontrar-se com Deus?
Alguns dizem que querem muito ir para o Céu. Mas, que podem esperar alguns anos mais. Obviamente ninguém quer morrer. E não há problema algum nisso. O grande desafio, entretanto, é aprendermos a lidar com a morte. Ou seja, é estarmos preparado para a Páscoa definitiva de nossos amigos, familiares e outros entes queridos. O Dia de Finados é também uma excelente oportunidade para refletirmos sobre isso. Para pensarmos sobre como estamos lidando com situações de morte. Ainda mais nesses tempos tão difíceis em que estamos vivendo, quando perdemos tantos amigos e familiares por conta da Covid-19.
É mais um ano repleto de lembranças por aqueles que nos deixaram, por aqueles que morreram de causas e consequências provocadas pelo coronavírus. Nesse sentido, nossas orações devem se voltar não apenas as mortos, mas, sobretudo, aos vivos. Não somos nós, os vivos, que ainda precisamos compreender o real significado da morte e aprender a conviver com essa realidade? Que nós, vivos, possamos buscar viver uma vida repleta de atitudes que nos ajudarão em nossa morte. Que sejamos pessoas corretas, de bom caráter e que pratiquemos os valores pregados por Jesus no Evangelho. Essa é a garantia de que, verdadeiramente, estaremos do outro lado do caminho, aguardando os que, um dia, também realizarão essa passagem. Que assim seja, amém!
Padre Rodolfo Trisltz, pároco e reitor do Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Norte do Paraná, na Vila Nova em Londrina


