O ícone brasileiro no combate a corrupção, o nosso herói Sérgio Moro, parece estar sozinho contra os criminosos do colarinho branco. Entrincheirados no Congresso, o grupo de malfeitores da política nacional ainda resiste e consegue sobrepujar a força do conjunto de novos parlamentares que lá chegaram para modificar esse triste cenário de criminalidade. Está faltando a Moro o apoio da base de sustentação política do Planalto, que por sinal é frágil, e o próprio empenho do Executivo ao seu projeto anticrime. Para piorar, seguindo a sua costumeira e impensada imprevisibilidade, Bolsonaro deixou Moro numa tremenda "saia justa" ao anunciá-lo como futuro ocupante de uma cadeira no STF. Um anúncio muito antecipado e desnecessário, que vai provocar uma atroz exposição do atual ministro da Justiça à ira dos políticos corruptos e à ciumeira dos ministros do Supremo antipáticos à Lava Jato. A guerra é árdua, pois os parlamentares envolvidos na ladroagem não estenderão facilmente os seus braços às algemas e nem os togados deixarão de proteger seus apadrinhados. Por isso, Sérgio Moro precisa de forte apoio, estímulo e proteção.

LUDINEI PICELLI, administrador de empresas (Londrina)

MP DO SANEAMENTO

A MP do Saneamento (MP 868) serve apenas para cobrir o rombo fiscal dos governos estaduais junto ao governo federal. Você já se perguntou a quem interessa a privatização da água e os efeitos que ela ocasiona sobre a população e o meio ambiente? Ora, existem experiências desastrosas e concretas pelo mundo afora demonstrando ter sido um desastre a privatização da água. Basta citar um caso que ficou conhecido mundialmente como a “Guerra da Água”, em Cochabamba, na Bolívia: com o apoio dos políticos do município, a concessão da água caiu em mãos da empresa norte-americana Bachtel. E a primeira medida ao assumir o controle da água foi aumentar as tarifas entre 150% a 180%. O povo, indignado, começou a se mobilizar contra os aumentos. A concessionária respondeu com um novo aumento de 250%. O povo tomou as ruas, o saldo foi de mortos e feridos, mas o interessante é que a população não se resignou até conseguir a rescisão do contrato e a promulgação de uma lei com ampla participação popular. Esse fato reforça os argumentos contra a privatização, e deixa claro que os governos perdem o controle sobre a gestão dos recursos quando fazem concessões sem a participação e apoio popular, principalmente nos países mais pobres. É preciso antes de mais nada, ter consciência dos impactos econômicos, sociais e ambientais que a privatização da água vai causar sobre a população, os governos e as comunidades locais, além disso, as empresas estaduais de saneamento não podem servir de moeda de troca com a possível aprovação da MP 868 - empurrada goela abaixo ao povo brasileiro pelo governo federal.

ANTONIO SÉRGIO NEVES DE AZEVEDO, estudante (Curitiba)

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