Buenos Aires A decretação da moratória deve centralizar os anúncios de mudanças econômicas a serem feitos por Adolfo Rodríguez Saá, 54, o novo presidente argentino, segundo o Ministério da Economia.

A moratória deve se estender pelo prazo em que Saá se mantiver presidente, ou seja, 60 dias. Uma das missões do futuro presidente do país, a ser eleito em 3 de março, seria a de retomar as negociações para concluir a reestruturação da dívida externa, iniciada pelo ex-ministro Domingo Cavallo, que se demitiu na madrugada de quinta-feira.

Essa reestruturação da dívida contemplaria um desconto no valor de face dos títulos, rechaçada publicamente pelos credores internacionais, e o pagamento de juros inferiores a 2% anuais. Na troca interna da dívida feita por Cavallo há poucas semanas, os juros ficaram em 7% ao ano.

''Os organismos internacionais já sabem que não podemos pagar'', disse ontem Eduardo Duhalde, senador justicialista, ao site de notícias do jornal ''Ámbito Financieiro'', numa demonstração de que a moratória está perto.

Há também a forte expectativa de que a desvalorização do peso seja anunciada. Representantes de diferentes setores, como a União Industrial Argentina, pedem a desvalorização da moeda local como forma de o país poder voltar a ganhar competitividade no mercado externo.
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