Moralização da política
A moralização na política é urgente. Proposta como a da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de acabar com os sigilos bancário e fiscal de todos os ocupantes de cargos eletivos - presidentes, governadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos e vereadores - e funcionários em cargos comissionados, tem que ser apoiada. Medidas como esta, sem dúvida, ajudariam a reduzir os escândalos de corrupção presentes em todas as esferas da administração pública.
No Brasil, a cultura de ''levar vantagem'' ainda está muito presente. Este fator contribui, de certa forma, para que a corrupção também seja aceita entre a população. Muitos candidatos disputam eleições com vistas a vantagens futuras. E, frequentemente, a conta chega. Denúncias de corrupção são reveladas todos os dias. Mas como cobrar uma postura ética dos políticos se muitos cidadãos não fazem a sua parte? Como bem relatou o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, oferecer propina a policiais para impedir uma multa de trânsito ou pedir favores em troca de voto são atitudes comuns que não podem perdurar. Os bons exemplos devem ser dados em todas as esferas.
É preciso que a sociedade esteja coesa em torno do objetivo comum: acabar definitivamente com a corrupção. Imprensa livre, engajamento da população e de entidades que a representam e justiça célere são alguns dos itens que irão colaborar para mudar esse cenário. Pressionar o Congresso para a aprovação do projeto de lei de iniciativa popular, que será proposto pela OAB, também é de fundamental importância. Chegamos ao limite da situação e é necessário mudar o panorama.
Não dá mais para compactuar com políticos tradicionais, ''do rouba, mas faz'' ou dos que querem levar vantagens a todo custo. A política deve ser exercida com responsabilidade e sempre voltada ao bem comum. Estamos em ano pré-eleitoral e todas as atenções devem estar voltadas ao comportamento de postulantes e detentores de cargos públicos. É preciso escolher melhor os candidatos, avaliar sua vida pregressa e suas propostas. Apenas o voto consciente pode melhorar a administração pública.





