Todos nós seríamos felizes, se os homens que governam a Nação, os estados e os municípios fossem todos iluminados, inteligentes e capazes de usar o dom da sabedoria em beneficio da população. Quem não gostaria de que os dirigentes religiosos fossem todos enviados por Deus e isento dos problemas seculares, ensinassem a fé, sem mácula, sem heresias e sem interesses pessoais?
Os detentores do poder deveriam dedicar-se com amor ao próximo. Deles deveriam emanar exemplos de justiça e de honestidade. Só os íntegros e competentes poderiam dirigir, pastorear e administrar as pessoas e os bens públicos. Como se fossem pilares de sustentação da sociedade, serviriam de modelo de bom senso, de justiça e de moralidade.
O homem revestido do poder deveria espelhar em sua imagem, a dignidade, a honradez e o orgulho próprio de sua competência. Planejar e por em prática sua gestão; buscar o conjunto de objetivos como galardão do seu trabalho. Por causa dessa postura, o legislador, o Executivo e os que determinam a execução das leis, seriam bem remunerados, receberiam, ainda, honras e admiração do seu povo.
Mas, para decepção de todos, contemplamos a decomposição das instituições. A corrupção, o tráfico de influência e a imoralidade afloram em todo País. Esse comportamento amofina o caráter humano e desfigura a imagem e a semelhança do seu Criador. O que se pode esperar de uma Nação que, salvos raras exceções, é governada por corruptos? Hoje a Justiça é lenta e dispersa. A corrupção continua a dizimar a população; e os religiosos, com raras exceções, ensinam heresias. Esse modo de agir, nada exemplar, egoísta e dissimulador, desequilibrou o comportamento humano.
Estamos vivendo dias de delinquência, espelhada em órgãos públicos. Onde se deveria estabelecer a jurisdição, se vê uma explosão de sacanagem; de onde deveriam emanar exemplos de justiça, de bom senso e de honradez, surgem o roubo, a velhacaria e a corrupção. Hoje, o pior ladrão não é aquele que aponta uma arma para a cabeça de alguém para roubar. Piores que esse são os corruptos que roubam as UTIs hospitalares, impedem a construção de escolas e da pavimentação de rodovias. Esses são assassinos em potencial, geradores do analfabetismo, da miséria e do infortúnio. A crise da imoralidade é pior, muito pior, em relação à crise econômica. A falta de fé, da moral e da honradez faz sucumbir um povo assim como se sucumbiram os habitantes de Sodoma e Gomorra.
O que fazer nestes tempos em que o homem está perdendo a representatividade do seu Criador? O que fazer, se o mal, com raras exceções, está espelhado em pessoas graduadas e conhecedora da lei. O que fazer se a promiscuidade, a corrupção e o mau-caráter surgem de órgãos governamentais e religiosos? Nunca se viu nas administrações públicas, tantas falcatruas e trapaças vergonhosas, envolvendo aqueles que recebem polpudos salários.
A corrupção que começa com as pequenas coisas, como por exemplo: a sonegação do Imposto de Renda por profissionais liberais que não fornecem recibos de seus trabalhos; o suborno com agentes rodoviários, livrando-se da multa de transito; a dispensa da nota fiscal para obter descontos nos produtos adquiridos, etc... Isso é falta dos bons princípios na educação familiar, falta de civilidade e de respeito às leis da nação. Essas práticas, não recomendáveis e aparentemente simples, atingem grade parte da sociedade brasileira. É o comportamento corrupto generalizado que evoluiu alcançando grandes proporções, como hoje vivemos.
A cancerígena epidemia da corrupção que nos atormenta, que corrói a riqueza e a dignidade brasileira, chegou ao limite da tolerância.

Nelson Araújo de Oliveira é professor aposentado



■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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