Moradores temem ser identificados
Tiros a esmo no meio da rua para intimidar os moradores, ameaças por telefone, insegurança e muito medo. Este é o dia a dia das pessoas que vivem na periferia de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. A dona de casa Lucinda Rocha (nome fictício), de 22 anos, mora no Jardim Montessanto. Semanalmente, ela acorda de madrugada com os tiros que as gangues de tráfico de drogas dão para intimidar os moradores da região. Da última vez foram cerca de 30 tiros seguidos. Eu estava dormindo e acordei meu marido quando ouvi, afirma ela, pedindo para não ser identificada pela reportagem. A gente fica com medo.
Os moradores preferem não procurar a polícia. Aqui todo mundo sabe que tem acerto dos bandidos e da polícia. Não dá para confiar em ninguém, declara. Ela conta que várias vezes tentou fazer denúncias anônimas, mas os policiais insistiam que ela se identificasse. Ela preferiu desligar o telefone. No ano passado, um irmão de Lucinda foi ameaçado de morte e teve que fugir para o Norte do Paraná. São grupos organizados que traficam (geralmente crack e maconha) e fazem diversos assaltos, inclusive a ônibus, denuncia.
Os assaltantes usam capuz para não serem identificados. A população geralmente sabe quem é, mas teme fazer denúncias. A gente vai dormir e teme que não acorde no dia seguinte. Quando a amanhece, a gente agradece por estar viva, lamenta. Outra dona de casa que a Folha identificará como Loana Brás, 25, conta que não sai de casa a não ser para levar e buscar o filho no colégio. Tenho medo de andar nas ruas até mesmo pela manhã.
No Jardim Montessanto, as casas são protegidas com grades e cães de guarda. A dona de casa Mirian Rosa (nome fictício), 35, fala que tem medo de ficar até dentro de casa. Ela já viu pessoas pulando os muros com grades de sua casa e ficou com muito medo. Por telefone, Mirian já foi ameaçada dezenas de vezes. Você vai ir logo para o cemitério, eles falam e depois desligam, conta, temerosa. O marido, do lado de dentro de casa, pediu para que ela parasse de falar com a Folha. Você está falando demais, gritou, sem sair.





