Moradores se mobilizam para corrigir traçado
Curitiba - Os moradores da Colônia Dom Pedro II criaram uma comissão para se mobilizar contra a construção da ferrovia e fizeram um abaixo-assinado entregue no Palácio Iguaçu há duas semanas. A comissão também foi recebida pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e conversou com o diretor da Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec), Paulo Kawahara. A mobilização deu certo. O governador Jaime Lerner teria pedido pessoalmente para que a Comec analise os pontos questionados pelos moradores da colônia nas audiências públicas a serem realizadas na sequência.
O diretor da Comec, Paulo Kawahara, explica que o papel da coordenadoria foi dar a macrodiretriz para o projeto. ''Primeiro fazemos um esboço no mapa, para depois avaliarmos as interferências locais e então corrigirmos 200 metros para cá ou para lá'', explica. Segundo ele, é possível estudar algumas mudanças no traçado, mas a comunidade terá que defender cada uma das reivindicações firmemente durante as audiências públicas. As prefeituras podem exigir uma audiência em cada município, ou pode haver um acordo para a realização de uma só audiência e mais algumas reuniões de negociação. Em princípio, todas as prefeituras estariam apoiando a construção do contorno.
Kawahara explica que o projeto já prevê as chamadas medidas mitigadoras, ou seja, alternativas para minimizar os impactos negativos da obra. ''O projeto de engenharia procura o menor cumprimento de traçado, com custo e impacto razoáveis. Tudo tem que ser ponderado para chegar à melhor solução para todos'', diz. Ele lembra ainda que a preocupação com a interferência nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Rio Verde e do Passaúna não é necessária, pois o licenciamento ambiental para a linha férrea não prevê o transporte de carga poluente ou tóxica.
O diretor da Comec diz ainda que a construção do contorno é inevitável e vai quintuplicar o escoamento de cal e cimento da região de Rio Branco do Sul, o que é importante para a economia do Estado. ''Por algum lugar a ferrovia vai ter que passar'', conclui. (M.K.)





