Cercas elétricas, muros altos e cães de guarda é o cenário comum em bairros como Jardim Leonor, Jardim Santa Rita e adjacências, localizados na região oeste de Londrina, uma das regiões onde mais ocorreram crimes violentos este ano. Dos 116 homicídios computados de janeiro até outubro, 40 - a maior média entre todas as regiões da cidade foram praticados ali. A violência está assustando moradores antigos desses bairros. Com medo, um grande número de pessoas colocou suas casas para alugar e até mesmo à venda. Os responsáveis por imobiliárias dizem que a violência está em toda a cidade mas reconhecem que há uma certa dificuldade em negociar os imóveis na região oeste.
Há duas semanas, gangues ameaçaram, com toque de recolher, moradores e comerciantes do Jardim Nossa Senhora da Paz. Alguns jovens teriam exigido que o comércio não abrisse suas portas. O motivo era um possível confronto de dois grupos que controlam o tráfico de drogas na região.
Um moradora que não quis ser identificada, disse estar vendendo sua residência, no Jardim Santa Rita, com medo de sofrer mais na mãos de bandidos. No mês de julho, ela e seu filho foram assaltados dentro de casa. Dois ladrões entraram armados, bateram nela e depois fugiram com tudo o que podiam carregar. ''Agora ficou o trauma, não quero mais ficar nesta casa, a região está muito violenta'', afirma.
O comerciante Ailton Vieira de Assis, morador do Jardim Leonor há 20 anos, disse que, por enquanto, não pensa em se mudar do lugar. No entanto, para protejer a família, construiu um muro com mais de cinco metros de altura em volta de sua casa. ''Parece uma prisão, mas é necessário'', afirma. Assis revela que, com o que gastou de material de contrução para fazer o muro, daria para construir uma nova casa.
Para Luciana Antunes Sobral, 26 anos, seu tempo no Jardim Leonor está com os dias contatos. ''Quero sair logo daqui'', desabafa. Ela disse que, há pouco tempo, viu um rapaz armado assaltando um caminhão de bebidas, durante o dia, na esquina de sua casa. ''A gente não pode nem ir trabalhar tranquila, tenho medo de voltar e não encontrar mais nada em casa'', confessa.

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