Moradores de rua
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de dezembro de 2019
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É fato haver, na nossa cidade de Londrina, expressivo número de pessoas em situação de rua. Mas é preciso ter cautela, e um tanto de humanidade ao propagar opiniões sobre o tema. Nenhuma pessoa passa a viver nas ruas, porque, simplesmente, o deseja. Estão nas ruas pessoas que sofreram violências em suas casas e não mais encontram ali um lar; estão pessoas que foram expulsas de sua casa porque foram acometidas por graves problemas de saúde, como o alcoolismo e a drogadição. Ao viver nas ruas, estas pessoas têm sua autoestima destruída, e acreditam ser incapazes de sair desta situação. Espoliados em sua dignidade, mesmo aquelas pessoas que não faziam uso excessivo de álcool e drogas, passam a encontrar, no vício, um meio de suportar a dura realidade em que estão inseridas. Não se pode esquecer que, antes de serem “moradores de rua”, tais pessoas são seres humanos - com uma história, com um corpo, com necessidades, com desejo de viver – e merecem ser tratados como tais. Neste sentido, a colocação de um gradil no Terminal Rodoviário não é solução plausível para o trato com estes seres humanos. O caso merece ser tratado da forma mais pacífica, séria, e eficaz possível, perpassando a elaboração e a execução de políticas públicas em saúde, habitação, assistência social, direitos humanos e em outras áreas que o caso tocar. Esta é a opinião de uma cidadã, mas é também uma opinião técnica, calcada em estudos sérios sobre o tema, inclusive em pesquisa realizada por diversas instituições públicas com foco no município de Londrina/Pr, a que convido todos os cidadãos londrinenses a consultarem, pelo link:http://www.uel.br/laboratorios/religiosidade/pages/arquivos/RELATORIO%20FINAL%20-%20PESQUISA%20SOBRE%20A%20POP%20RUA%20DE%20LONDRINA%20-%202017-2019.pdf
Susana Broglia Feitosa de Lacerda (promotora de Justiça) - Londrina (Em resposta à opinão do leitor Adoniro Prieto Mathias, "Ultrapassagem de limites", publicada neste espaço em 2 de dezembro de 2019).


