Guaíra - Os moradores mais antigos que cresceram ou envelheceram vendo e ouvindo Sete Quedas e usufruíram da prosperidade experimentada por Guaíra na época são os que mais inconformados. ''Nunca havia crise em Guaíra. Havia trabalho para todos e a gente ganhava dinheiro a rodo'', conta o comerciante gaúcho Edemar Henrique, 52 anos. Henrique mudou-se com a família para Guaíra em 1970 para montar um hotel e uma churrascaria.
Ele conta que nunca servia menos de 150 refeições por dia e os 30 quartos do hotel estavam sempre lotados. ''Chegamos a servir 400 refeições num único domingo'', orgulha-se. Hoje vende no máximo 150 refeições nos dias de melhor movimento. No hotel, 40% dos leitos são ocupados durante a semana por viajantes. Henrique diz que pretende encerrar as atividades porque está ''no vermelho''.
Segundo o Guinesse Book de 1974, as Sete Quedas eram a maior do mundo em vazão, com uma taxa de 50 mil m2 por segundo. Hoje, ela ainda figura no Guiness com o triste recorde de maior queda d'água submersa. A área era formada por sete quedas, que se subdividiam em saltos, cachoeiras e corredeiras.
Edemar Henrique diz que acordava todas as manhãs com o som das cataratas. O barulho das águas podiam ser ouvidos a até 32 quilômetros de distância. João Mandi conta que o visual das quedas extasiava qualquer pessoa. ''Poder cruzar os saltos em passarelas de até 40 metros de comprimento e estar sobre aquele mundo de água eram um espetáculo único e muito mais bonito que as cataratas do Iguaçu''.

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