Embora a desigualdade esteja caindo no Brasil, como atestam as inúmeras pesquisas, uma fatia da população está à margem das estatísticas e da distribuição de recursos dos programas sociais. Reportagem de domingo desta FOLHA mostrou exemplos de pessoas que vivem em barracos improvisados, sem qualquer estrutura básica – como energia elétrica ou água encanada – e longe de serem contempladas em programas públicos de habitação.
Se em comum, essa fatia da população tem um histórico de dependência química e de dramas familiares, também não se pode deixar de afirmar que está longe de receber oportunidades para melhorar de vida.
Estudo da Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, afirma que o número de habitações precárias no Paraná cresceu 39% entre 2011 e 2012, acima do índice nacional, que ficou em 34%. O índice estadual indica que, há dois anos, o Estado contabilizava 49.228 novas moradias precárias. Além disso, o deficit habitacional também aumentou 6,95% entre um ano e outro e atingiu 248.955 unidades. Já a Companhia Paranaense de Habitação estima que o deficit atual seja de 270 mil moradias.
Não se pode negar que o número é alto. Além de indicar que o programa federal "Minha Casa, minha vida" não tem contemplado o Estado, uma vez que os números paranaenses aumentam mais do que os nacionais, é preciso lembrar que uma parcela da população não será beneficiada, uma vez que não tem sequer documentos pessoais – quanto mais renda comprovada como determinam a maioria dos programas.
Outra questão a ser levantada é a forma como esses conjuntos habitacionais são construídos. Para citar apenas um exemplo, o Residencial Vista Bela – erguido na zona norte de Londrina – não oferece qualquer infraestrutura aos moradores, como posto de saúde, creches, escolas e espaço para o comércio. O resultado está estampado nas páginas dos jornais frequentemente: mães que deixam de trabalhar para cuidar dos filhos, crianças mais velhas que deixam de estudar para cuidar dos irmãos menores e muita violência entre os moradores. Será mesmo esse o modelo ideal para contemplar parte da população de baixa renda? Além de garantir moradia às pessoas, é preciso garantir também dignidade.

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