Editorial -

Monumentos em xeque


Adriana de Cunto - Grupo Folha
Adriana de Cunto - Grupo Folha

Um dos desdobramentos da onda de protestos antirracismo surgida após o assassinato do segurança negro George Floyd por um policial branco nos EUA é o debate de como a história é contada e representada nos espaços públicos.


Em vários países, no último mês, estátuas de escravocratas, generais confederados e colonizadores foram derrubadas ou pichadas por manifestantes justamente por serem consideradas símbolos de dominação, genocídio e violência.




Há algumas semanas, quando jogaram em um rio a estátua do mercador de escravos Edward Colston, os ingleses da cidade de Bristol deixaram claro que voltava à tona uma demanda antiga, a revisão de algumas visões dominantes do passado.


Mas fazer essa revisão removendo patrimônios históricos ou mudando nomes de ruas não seria facilitar um esquecimento da história? É esse o foco da reportagem “Polêmica nada imóvel” que a FOLHA trouxe no último fim de semana.


Há uma divergência entre historiadores e o tema não é uma discussão simples. Enquanto há pesquisadores que argumentam que os monumentos são patrimônios históricos e, portanto, devem ser conservados a fim de preservar a história, outros, no entanto, acreditam que essas homenagens reverenciam ícones opressores que devem ser ressignificados.


Questionar o valor dessas obras é um fenômeno que surge de vez em quando. Em Londrina, as ruas que levam nomes de bandeirante são colocadas como exemplos dessa polêmica.


No fim de 2019, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha sancionou uma lei distrital que proíbe o uso de nomes de torturadores reconhecidos pela Comissão da Verdade em espaços públicos. Em São Paulo há um projeto para renomear ruas que homenageiam figuras da ditadura.


Apagar a história não faz justiça com as vítimas do passado e nem resolve os problemas do presente. Preservados no espaço aberto ou expostos em museus, os monumentos devem trazer informações que ajudem as novas gerações a entenderem o contexto histórico em que a homenagem foi realizada. Antes de tudo, eles precisam ser encarados como objetos de estudo e reflexão.




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