Vários fatos que vêm ocorrendo no nosso planeta nestes últimos tempos, exigem de nós muita reflexão.
Na cidade de São Paulo (onde 1000 novos carros são registrados por dia), a população pediu o retorno do rodízio de veículos. Está quase impossível andar e respirar na cidade. Paris também implanta o rodízio de veículos. E aí estamos falando da Cidade da Luz, do chamado primeiro mundo.
Na Indonésia, a fumaça proveniente das queimadas se estende pelas cidades, obrigando as pessoas a andarem com máscaras para poderem respirar. Essas imagens até bem pouco tempo atrás eram peças de ficção científica.
O clima do mundo inteiro vem se alterando e, particularmente neste ano, o fenômeno El Ni¤o elevou a temperatura das águas do oceano Pacífico em quatro graus centígrados, cujas consequências já estão sendo vistas em todas as partes.
Aqui no Paraná, já estamos assistindo vendavais na região de Foz e Cascavel, e inundação em várias cidades, deixando em pânico a população.
Podemos perguntar então o que os carros e as queimadas têm a ver com chuvas e vendavais.
Os ambientalistas e também alguns cientistas estão alertando já faz algum tempo, sobre o chamado efeito estufa. O mesmo reside no fato de a população mundial estar aumentando significativamente o lançamento de vários gases na atmosfera, entre eles o dióxido de carbono, produzido pela queima de combustível fóssil (gasolina) e de florestas. Esses gases têm enorme influência, porque retêm na atmosfera a energia calorífica recebida do sol, tal como ocorre numa estufa.
Por ano são lançados 5,5 bilhões de toneladas de gás, pela queima de combustíveis fósseis, e 1,5 bilhão devido às queimadas de florestas. Assim, a proporção de dióxido de carbono deverá aumentar e com ela a temperatura do planeta (de 2 a 5 graus centígrados nas próximas décadas, podendo subir 10 graus centígrados nas regiões polares). As alterações climáticas que estamos assistindo são consequências inevitáveis desse quadro, que só tendem a se agravar, a se continuar com este modelo de desenvolvimento vigente onde as pessoas são valorizadas pelos bens materiais que possuem e são induzidas permanentemente a consumir cada vez mais.
Os recursos naturais do Planeta não suportam este modelo. Hoje 25% da população mundial consomem 70% da energia produzida, 75% dos metais extraídos da biosfera, 85% dos produtos derivados da madeira e 60% do alimento produzido.
Enquanto poucos consomem muito, a maioria não tem como consumir nada. Os Estados Unidos têm 6% da população mundial e consomem 25% do petróleo produzido no mundo. Assim, se 24% da população mundial tiver o mesmo nível de consumo dos norte americanos, todo o petróleo mundial será consumido.
A ocupação das cidades pelo automóvel é um dos aspectos mais problemáticos do mundo contemporâneo. O mesmo não é visto pela sociedade como um meio locomoção, tem um significado de erotização, uma questão de valor social, e ao e mesmo tempo o transporte coletivo é insuficiente e caro.
Apesar de todo esse quadro, estamos assistindo à guerra fiscal estabelecida entre vários estados brasileiros (inclusive o Paraná), gastando 17 bilhões de reais condicionando receitas tributárias para a implantação de novas montadoras no nosso país.
Muitos dirão que é necessária a industrialização para se gerar mais empregos, tão necessários hoje em dia. Com todo esse dinheiro, os governos poderiam estar investindo na infra-estrutura das cidades melhorando o transporte coletivo das mesmas, nas construção de ferrovias e hidrovias, tanto para o transporte de cargas como de passageiros.
Temos certeza que estes investimentos também iriam gerar muitos empregos, e no resultado final proporcionariam uma melhor qualidade de vida para todos nós.
É necessário ter prática de ecologista e não só usar a questão ambiental como marketing político às vésperas de eleições.
A sobrevivência do Planeta exige mudanças profundas de todos nós, e principalmente daqueles que detêm o poder, na forma de agir, pensar, produzir e consumir.
Não haverá sustentabilidade ambiental sem igualdade social.
Temos que construir novos valores políticos, éticos e sociais onde as pessoas sejam valorizadas pelo que elas são e não pelo que elas têm.
Nunca tivemos tantos recursos tecnológicos à nossa disposição e tão poucos recursos espirituais para entender a nossa natureza humana.
O nosso grande objetivo, hoje, é construir um compromisso com a vida atual e futura.

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