Muitas árvores nas vias públicas de Londrina ficaram velhas e precisam ser substituídas, antes que, na ocorrência de temporais, caiam sobre pessoas, casas e veículos. Como na semana passada, danificando automóveis e, por sorte, não causando vítimas pessoais. O fato motivou a Secretaria municipal que trata do ambiente a iniciar operação especial, nos finais de semana, para erradicar as árvores condenadas. Com efeito, torna-se mais barato derrubá-las, como está sendo feito, do que arcar com o prejuízo decorrente da queda inesperada. Porque a Prefeitura tem sido obrigada, em muitos casos, a indenizar quem sofreu danos, e o povo é que acaba pagando a conta. Se foi uma boa providência de prefeitos do passado plantar árvores nas ruas, numa cidade por natureza calorenta, hoje será preciso sacrificar as que estão com as bases comprometidas. Em muitos casos os moradores da vizinhança avisam aquele departamento, por telefone ou por escrito, ao perceber que árvores podem cair, mas não deve ser esta a única condição para o poder público tomar medidas preventivas. Porque é de sua alçada fazer esse levantamento e detectar as que estão decrépitas. E são milhares as árvores com sintomas de final de vida. Um especialista que se manifestou a este Jornal, tempo atrás, afirmou que as árvores de Londrina, sobre as calçadas, não recebem tratamento adequado e isto desde que foram plantadas começando pelos estreitos captadores de água da chuva. Segundo ele, há espécies, entre as existentes, que não se adaptam bem ao ambiente regional. Um problema é que, quando adultas, as raízes quebram o cimento e ficam expostas, e outro é a depredação praticada pela Copel (a companhia estadual de energia elétrica), que faz podas para a passagem dos fios, e esse procedimento é brutal. Não faltam os defensores de que a fiação elétrica e telefônica seja subterrânea como ocorre em muitos países mas esta é, naturalmente, uma solução que precisará ser adotada progressivamente. Existe um experimento nesse sentido, em pequeno trecho da rua Sergipe onde há um minishopping (entre as ruas Minas Gerais e Rio de Janeiro). Um empreendimento particular, que serve de modelo. Os vereadores deveriam estudar a criação de uma lei estabelecendo que, doravante, ao menos nos novos loteamentos e nas novas ruas os fios sejam submersos. Ir substituindo as árvores pioneiras, que guardam história e já prestaram seu serviço, é uma medida providencial da Secretaria do Meio Ambiente. E não apenas isso mas também dar continuidade à arborização no geral, que é uma das marcas fortes da cidade. Encher as ruas de árvores, onde elas não existem, é uma providência barata e de grande benefício. Com atenção à recomendação técnica para escolha das espécies de mais fácil aclimatação e que ofereçam mais sombra, e o detalhe de abrir mais o espaço na base do tronco, de forma a captar mais água das chuvas. Todo esse trabalho, para que seja duradouro e resulte eficiente e mais econômico, não pode naturalmente ser confiado a amadores, mas a especialistas. Cuidar da cidade que se compõe também de bens gratuitos da natureza, como as árvores é cuidar da vida.

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