Este mês de maio está marcado para grandes acontecimentos de ação e fé católicas, o maior deles a visita do papa Bento XVI, cujo ponto central de sua presença no Brasil será o Santuário de Aparecida. Enquanto isto, 455 expressivos membros da Igreja Católica, dos quais 334 bispos, estão reunidos desde ontem em Itaici (SP) na 45 Assembléia Nacional dos Bispos do Brasil, para discutir temas de relevância, o principal deles a perda de fiéis, que simplesmente abandonam a frequência às celebrações desse rito cristão ou ingressam em outras religiões.
Desse conclave sairá o novo presidente, o vice e o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, braço avançado da Igreja. Outro assunto importante da Assembléia é a discussão de uma cruzada de arrebanhamento dos jovens, dentre os que ainda não estão vinculados a um credo ou não são propensos a seguir nenhum deles. A reunião de Itaici é também preparatória da 5 Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, que se realizará em Aparecida e será aberta dia 13 pelo Sumo Pontífice.
Com 120 milhões de brasileiros católicos, que compõem uma expressiva maioria, a Igreja tem desempenhado papel relevante na vida nacional, não só nas questões de fé, mas também nas ações políticas de caráter temporal. A CNBB, sobretudo por meio de alguns de seus proeminentes titulares, tem assumido posições importantes em favor dos excluídos e feito ácidas críticas aos governos. Dom Geraldo Majella Agnelo, atual presidente desta instituição, não tem poupado advertências sobre as políticas equivocadas do Governo Lula.
Apontada em certos momentos como partidária do PT, a Igreja sempre assumiu uma postura de defesa de questões fundamentais como a reforma agrária e a melhor distribuição da renda, o que é consonante com a moderna política social da Igreja. A história de tiranias do passado, quando a Igreja Católica tinha poderes de Estado, é resquício que se perde na memória do tempo, e, embora a fidelidade secular aos dogmas, uma nova ordem prevalece, por inspiração de políticas de maior abertura estabelecidas pelos últimos papas, desde João XXIII. Joseph Ratzinger, integrante da linha mais rígida da Igreja e sempre uma influente e poderosa figura no âmbito da sede vaticana, tem imposto como Papa algumas alterações que retrocedem um pouco a costumes antigos, mas não se desvia da nova diretriz política e eclesiástica, que teve grande força especialmente com João Paulo II. O deslocamento de Roma, mais uma vez, por Bento XVI - e agora em visita ao Brasil - demonstra essa continuidade.

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