Momento recomenda não demitir
Em momentos de dificuldades nacionais e de baixo emprego, como agora, a Volkswagen do Paraná deveria repensar sua decisão de demitir trabalhadores. Anuncia-se que a fábrica de São José dos Pinhais já afastou 204 trabalhadores neste ano. Por isso companheiros de trabalho começaram a protestar contra a medida, em forma de paralisações temporárias, porque as demissões estão continuando. As razões da empresa são ''ajustes naturais'', como transferência de funções e processos de melhoria de produtividade, mas os atingidos são operários e suas famílias, portanto pessoas. A produtividade pode melhorar, mas a miséria social aumenta. Aperfeiçoa-se o desempenho empresarial mas cai a qualidade de vida de quem é afastado do trabalho. O comportamento pragmático de que reestruturar é demitir (e é isso que a VW mundial está fazendo) não se compatibiliza com os princípios de responsabilidade social que uma empresa deve ter. Se há crises (a Volks alega que suas empresas brasileiras dão prejuízo há 8 anos), elas se intensificam quando trabalhadores são demitidos, porque a estes faltam alternativas, marcadamente no Brasil. Eles não têm como reestruturar-se. Na verdade, à frente de tudo sempre estão as políticas públicas vigorantes no Brasil, que sufocam as empresas pela onerosa carga tributária e no caso do veículo automotor o Governo abocanha mais de metade dele em impostos mas a situação brasileira de desemprego reclama esforço conjunto, para não piorar as coisas. Se com emprego o trabalhador e sua família apenas sobrevivem, sem renda é o caos total. E a sobrecarga daí decorrente recai sobre a nação inteira. Há 1.200 empregados de terceiro turno em férias coletivas, na VW, e o Sindicato dos Metalúrgicos teme que todos eles sejam demitidos quando retornarem. Se a matriz da Volskwagen está fora do País, há questão interna a considerar, até porque as empresas que se instalam no Brasil usufruem de benefícios especiais. Se elas dão sua valiosa contribuição, em forma de trabalho e geração de riquezas, também são grandemente beneficiadas. Estabelecer um ponto de harmonia é sempre de bom senso. Segundo o coordenador da comissão de fábrica, o trabalhador Gilson Batista, a unidade paranaense é ''produtiva e enxuta'', e a decisão das demissões é da direção brasileira. Tanto pior, porque é de esperar que esse comando zele não apenas pelas questões da corporação mas também pelos interesses do Brasil. Ao se conceder incentivo fiscal às empresas transnacionais ou nacionais um dispositivo contratual deveria impor alguma salvaguarda em defesa do emprego, de modo que demissões só ocorram em razão de extrema necessidade. E se empresas demitem, esta é também uma questão da alçada governamental. E não apenas porque o poder público deve ser um vigilante atento pela guarda do emprego, mas sobretudo para uma reflexão sobre as causas que levam uma empresa a entrar em rota de dificuldade e até falência. No Brasil, já se sabe que é o sistema governamental que debilita a saúde das empresas, pela inoculação pesada do vírus dos impostos.





