Momento propício para reforma política
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quinta-feira, 01 de setembro de 2005
Que ao menos a turbulência ora vivida não seja em vão 
Se há candidatos que se elegem pelas suas boas propostas ou pela empatia com o eleitorado, a presença do dinheiro é fundamental nas campanhas eleitorais. Assim ocorre também nas grandes democracias. O abuso é que é o mal, porque existem aqueles que simplesmente compram votos, valendo-se das misérias sociais, de cujo meio não se pode exigir conscientização política. A corrente de denuncismo que assola o Brasil, se é necessária como contribuição aos ideais de reforma do sistema eleitoral, peca pelo oportunismo e mostra também o seu lado desonesto, porque não se manifestou quando as irregularidades estavam acontecendo. Eventualmente por conveniência do momento, os serviçais das campanhas e os demais envolvidos permaneceram mudos na ocasião, ante a constatação de verbas não declaradas ou de origem escusa, só se manifestando posteriormente. As razões dessa atitude tardia seriam interesses contrariados ou mesmo lampejos de consciência. Certo é o uso de verbas excedentes, nas campanhas, não constitui fato novo. Sabem todos os agentes dos processos eleitorais que o caixa 2 sempre existiu, e não apenas nos negócios da política. É bem verdade que o atual governo exagerou na dose e na corrupção. E, convenhamos ainda que a qualidade dos políticos no poder nunca foi tão baixa. Mas, se nem todas as acusações são plenamente verdadeiras no varejo, o são no atacado, ou seja, a realidade é que os candidatos recebem muito mais do que declaram à Justiça Eleitoral, e nem sempre utilizam toda a verba para o fim destinado, alguns até apropriam-se de parte dela. Não se pode, porém, descambar para a generalização e afirmar que todos os políticos eleitos nadaram em fortunas nas suas campanhas, mas a tendência do eleitorado, pelo exemplo histórico, é acreditar mais nos que denunciam e menos nos denunciados. Porque os políticos carregam o estigma do nome, e não foram os cidadãos que os fizeram pouco confiáveis, mas eles mesmos. E nem todos os que denunciam, oportunistas ou não, são guiados por partidos adversários, mas isto também acontece. Se os partidos, como instituição, são irrepreensíveis quanto aos seus postulados, não se pode dizer o mesmo de certos elementos desagregadores que os compõem. Os exemplos do momento o demonstram. Ir separando o joio do trigo, este é um caminho, pela forma da cassação desses políticos e governantes espúrios, e do zelo cívico do eleitor para não reelegê-los mais tarde. À parte sã do Congresso Nacional incumbe iniciar o processo de revisão da legislação eleitoral, de modo a extirpar os seus vícios. Ventos de renovação sopram do seio de instituições fortes, como a Ordem dos Advogados do Brasil, de influentes membros do Tribunal Superior Eleitoral, de eminentes juristas e dos segmentos mais politizados da sociedade, e espera-se que, ao menos, a turbulência que a nação ora vive não seja em vão.


