Momento não é de provocar recessão
Não se vive propriamente uma crise mundial pela quebra do banco norte-americano, mas uma pesada repercussão a respeito, e isto sim pode ser danoso. Mas é em momentos como este que se faz realinhamento de rotas, diminui-se a velocidade do barco e firma-se as mãos no timão. No caso brasileiro, a posição de cautela é necessária, sem favorecimento à recessão. Não pode haver diminuição do consumo, porque aí sim a economia entrará em desequilíbrio.
As compras no varejo e no crédito não podem cessar, embora - em tempo de crise ou não - será sempre preciso gastar ou endividar-se com moderação. Porque se ninguém mais comprar além do estritamente necessário, os produtores de matérias-primas, as indústrias, o comércio e os serviços sucumbirão, arrastando nessa torrente o emprego. Com baixo giro de dinheiro nem a governabilidade se sustentará.
Uma crise só pode levar a estados de desespero quando motivada por abalos sísmicos, tempestades, inundações, destruição de cidades e campos, grandes secas e devastação de colheitas, que levem multidões à fome e ao desabrigo. Crises voláteis como as do mundo financeiro curam-se em si mesmas - porque se entorpecem pelo próprio veneno mas têm no organismo também o antídoto. Porém se uma corrente de negativismo se instala, consequências reais e mais nefastas advirão. Não se deve aumentar juros a pretexto de diminuir o consumo, porque seria como jogar palha buscando abafar o incêndio. Veja-se que, depois da explosão da crise, o Federal Reserve dos EUA (o seu Banco Central) manteve o juro de 2% ao ano. Chegou a pensar até em diminuí-lo, portanto longe de idéias de alta. O Governo, no Brasil, precisa economizar dinheiro e conter drasticamente o gasto supérfluo ou inadequado e aplicar mais em investimentos consistentes, dessa forma levantando diques para aplacar os efeitos do tsumani que se propaga. O consumo de alimentos no mundo não diminuirá, mas é preciso o Brasil (grande exportador) não descuidar das políticas de exportação e de expansão de mercados.
Uma crise financeira é sempre devastadora, mas o mundo não vai por isso entrar em regime de economia de guerra - o que só acontece por fenômenos de escassez de bens de uso e consumo. Não é o que agora ocorre. A atividade rural no Brasil está em franca produção e assim acontece também com os segmentos da indústria, do comércio e dos serviços, só bastando cautela e postura inteligente para manter esse ritmo. Não aumentar juros já será uma medida de prudência.





