Agora que o processo eleitoral teve sua largada decretada através do horário eleitoral, mais do que nunca nós - os tais dos eleitores - que só nesta época somos lembrados (existem exceções), deveríamos nos apossar do ''curriculum vitae ou curriculum morte'' que os candidatos exibem.
Hoje - graças à pressão de toda sociedade paranaense - a Copel ainda é nossa, e os vendilhões do templo não conseguiram concretizar os seus desejos absurdos de arrebentá-la (embora lucrativa) nos expondo ainda mais a perder, sempre a perder. Os candidatos estão se apresentando ante nós - com penteados e plásticas renovadas - e com um discurso desenvolvimentista que ''impressiona''.
Observando a relação destes nossos ''lídimos representantes'', e aqui cabe um parênteses (eu - nós, os elegemos - mea culpa) observo por exemplo que alguns que estão submetidos à análise jurídica ou indiciados por desvios e licitações indevidas, obtiveram (não sei como), o ''green card'' para correr na fórmula mais importante da área política.
Este cartão de licença, os credenciará novamente, a receberem muito de salários e mordomias, o acesso à manipulação do poder - e no caso específico dos que estão sob mira do Ministério Público - lhes dará o respiro que desejam para - na base da influência nefasta - tentar tirar de sob os ombros o peso da responsabilidade.
Sem citar nominalmente - pois a sentença ainda não foi proferida (difícil entender isso) e o erário público não foi ressarcido -, me pergunto: Como é que estes senhores que se julgam acima da verdade e da lei, podem receber qualquer voto no Paraná?
Os que tentaram vender a Copel, num descalabro de selvageria contra o nosso Estado, deveriam receber algum voto da nossa população? Os que estão sob o crivo da Justiça - deveriam ter a condição de disputar estas eleições em quaisquer dos níveis, antes de qualquer definição legal? Evoco à ética, por exemplo nas áreas médicas e jurídicas; quando profissionais destas áreas comprovadamente atentaram contra o bem comum ou individual, podem continuar a exercer suas funções? Todos sabem a resposta. Não seria um atentado à saúde e à justiça?
Pois bem - agora na questão política - como é que indiciados por lesarem o patrimônio público se apresentam em rede nacional de televisão e rádio e jornais, se arvorando em defensores do bem-estar da comunidade, quando seus curriculum vitae deveriam ser denominados de curriculum morte? Ou será que toda ação contra uma população, desvio de verbas, ou apropriação do dinheiro público, ou a tentativa de se vender um patrimônio público com manobras fraudulentas não deva ser considerado um atentado também?
Um comentário (por questão de justiça), alguns poderiam estar agindo por questão de convicção - e de acordo com a própria consciência sim - e aí nada se poderia dizer, mas no específico assunto - Copel - quando todos sabiam que as manobras de bastidores para vendê-la foram vergonhosas, alegar o quê? - Que se orientaram pelo bem do Paraná e de suas consciências? Oras, todos sabiam dos bastidores mostrados ou não - ao vivo. Ou errados fomos, nós por termos lutado contra?
E quando da perda de um londrinense, numa tragédia que abalou a todos, e na falta de leito especializado no nosso HU, o Governo do Paraná não deveria ser responsabilizado idem? O sangue deste rapaz clama da terra por justiça.
Há muito tempo venho reivindicando do Estado um posicionamento a respeito das melhorias em nosso HU (nosso sim) e absolutamente nada fazem - qual a razão?
Um londrinense que perdeu sua vida por falta de equipamentos nos hospitais desta cidade, não é motivo suficiente para despertar nossa justa indignação e repúdio a todos que daqui se esquecem e só se lembram em época de eleições?
E agora, quando todos concorrem a tudo, nós - os tais eleitores - vamos dizer o quê? Novamente abaixarmos as cabeças, numa vergonha conivência e dizer: ''Sim senhor, pode contar com nossos votos, mesmo que o senhor tenha quase vendido a Copel, que desvios do nosso dinheiro tenham ocorrido nas prefeituras e que tenhamos perdido um amigo nosso, um irmão londrinense, por falta de leito''.
Não! Nunca!
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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