Momento exige responsabilidade cívida
''Militantes
petistas
tomaram de
assalto a
máquina pública''
Serenidade. Esta é a palavra mais importante neste momento. Brasília está vivendo dias difíceis, com o agravamento da crise motivada pelas denúncias de corrupção em vários setores do governo. Ainda é uma crise política, contornável; não é uma crise institucional. Mas o fio que separa uma da outra, às vezes, torna-se imperceptível, se as instituições não se mostrarem fortes e seus agentes não agirem com serenidade, mas sem transigir na apuração dos fatos. É hora, portanto, de cautela sem, porém, esmorecer na busca da verdade que, espera-se, culminará com a punição dos responsáveis.
Ontem, a revista Veja apresentou novas denúncias. ''Com uma CPI instalada e outra a caminho, a pergunta agora é qual será o rosto do próximo escândalo'', diz Veja, referindo-se a Roberto Jefferson, presidente do PTB, e Delúbio Soares, tesoureiro e homem forte do PT, responsável pela distribuição do dinheiro da propina, segundo a denúncia.
Enquanto isso, o jornal a ''Folha de São Paulo'' coloca seu editorial na capa. O jornal paulista ataca as medidas provisórias (MP) do Planalto que já instituíram mais de 19 mil cargos sem concurso. Diz que militantes petistas e apaniguados tomaram de assalto a máquina pública, numa disputa feroz com ''aliados'' insatisfeitos. Agora o governo tenta convencer o país de que irá se redimir por meio de uma reforma política. A reforma continua sendo necessária mas é ilusão acreditar em seus poderes mágicos - diz o editorial da ''Folha de São Paulo''.
Na Veja, Fernando Gabeira, deputado e escritor, ícone da esquerda brasileira, diz que o PT é ''igual aos outros partidos'' e que o presidente Lula está deslumbrado com o poder. O título da entrevista: ''O PT acabou''. Outra afirmação que expressa a contundência das críticas ao governo: ''Ao superestimar o potencial da linguagem publicitária, Lula saiu da história para entrar no marketing''. E a senadora Luiz Helena acha que Lula sabia de todas as irregularidades denunciadas por Roberto Jefferson, e que está deixando o governo em polvorosa.
A expectativa agora é em torno do pronunciamento de Jefferson, previsto para amanhã, na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Pode jogar algo mais no ventilador, como pode recuar. Na mais suave das hipóteses já fez um estrago no governo, capaz de comprometer a credibilidade de todos os escalões. E, nos corações e mentes dos brasileiros, infelizmente, reacendeu o sentimento de frustração. Se é que esse sentimento estava dormente; se é que algum dia - mesmo no governo Lula - ele esteve menos exacerbado.
Mas o pior dos depoimentos parece reservado para quarta-feira, em reunião fechada, à corregedoria da Câmara. A expectativa é de que o petebista confirme as acusações ou até faça novas denúncias. Paralelamente, continuam as negociações em torno da composição da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios, que já foi instalada.





