Momento de paz
Não por acaso a sede da Organização das Nações Unidas se encontra em território norte-americano, e por mais que os fundamentos desse organismo se pautem na neutralidade, é muito forte o poder de influência que exercem sobre ele os Estados Unidos, afinal a nação mais poderosa do mundo e impossível negar com alto grau de controle sobre os destinos da humanidade. Ao impor a presença de inspetores no Iraque para um levantamento da situação bélica do país e o consequente desarmamento, a ONU impõe os desejos da Casa Branca, mais especificamente do presidente George Bush e do fantasma de George Bush pai o ex-presidente autor das sanções comerciais sobre a nação comandada por Saddam Hussein e que refletem, por extensão, a vontade do povo americano.
Impera um momento de paz no mundo com o acatamento, pelo Iraque, da resolução das Nações Unidas, e ao menos por ora está afastado o perigo de uma guerra, que com toda certeza seria deflagrada pelos Estados Unidos. Naturalmente que falta à ONU o poder de impor idêntica resolução sobre os próprios EUA, o país mais armado do mundo e que possui arsenais de destruição com o poder de ''rachar a Terra ao meio'', conforme relato dos especialistas. O ministro russo das Relações Exteriores adianta-se aos demais países e diz que o momento é propício para que se levantem as sanções sobre o Iraque, se é que a poderosa nação do Norte deseja, realmente, desfazer ódios criados por ela e restabelecer as condições de convivência pacífica com os iraquianos.
Por trás de todo o conflito está a guerra de interesses, assentada sobre o petróleo, de que o Iraque é grande produtor, assim como os demais países petrolíferos árabes mais destacados e que, obviamente, não desejam um confronto armado naquela região e nem rupturas com os Estados Unidos, de que são aliados comerciais. Saddam, ao contrário de aliar-se, tem cometido a ''insolência'' de não alimentar simpatia pelos norte-americanos, e por isso ele representa sempre um perigo, em face dos armamentos que possui e que, assim como o terrorismo internacional, constitui um desafio aos Estados Unidos depois do desmantelamento da União Soviética.
Saddam e os terroristas são, agora, o novo foco de vigilância dos EUA, daí a inquietude americana, que, mais que tudo, visa não a paz no mundo mas a segurança interna e a dos seus negócios, dentro e fora do país. Pesa sobre o Iraque a inconveniência de uma guerra, porque o país, rico e abarrotado de dólares e sofisticados armamentos, tem um povo atrasado, fanático pelo seu governante e muito pobre e necessitado de tudo e não em função das sanções externas e sim pelo próprio regime ditatorial vigorante e que mantém a população dependente e sob rígido controle, por isso enfraquecida e subserviente.





