O Brasil fechou 2018 com um PIB de R$ 6,8 trilhões e todos sabem o peso que o agronegócio teve no fechamento dessa conta, que soma todos os bens e serviços produzidos no País. Temos uma vocação natural para o agronegócio e no Paraná, principalmente no Norte, essa característica é intensificada. O campo representa expressiva participação na economia do Estado e por isso é compreensível que ele receba atenção e investimento.

É inegável a importância que a pesquisa e as melhorias tecnológicas tiveram para compor esse cenário de dinamismo e qualidade, onde o Brasil e o Paraná se destacam internacionalmente. É indiscutível também a importância do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) na construção dessa realidade superavitária. O instituto foi um dos protagonistas de uma grande evolução tecnológica no campo. As pesquisas desenvolvidas pelo Iapar e outros órgãos como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) contribuíram para o processo de modernização da agricultura no Estado.

A FOLHA tem orgulho de ter participado da criação do Iapar, no início da década de 1970, e hoje vê com preocupação o Projeto de Lei 594/2019, do governo do Paraná, que busca agrupar em um único instituto o Iapar, a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná), a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia).

Essa mudança, que está sendo vista por muitas lideranças como a extinção do Iapar, foi motivo de um manifesto contrário ao Projeto de Lei 594, assinado por 26 entidades públicas e da sociedade civil de todas as regiões do Estado. O lançamento aconteceu nesta sexta-feira (30), na Câmara de Vereadores de Londrina. O que se teme com a junção dos institutos é principalmente o esvaziamento do trabalho de pesquisa do Iapar e de extensão rural da Emater.

É necessário reduzir custos, enxugar a máquina pública e modernizar as instituições, aumentando a eficiência e a produtividade. Mas não se pode arriscar o futuro da pesquisa desenvolvida pelo Iapar com uma junção que tira o seu protagonismo. A simples união das instituições fará com que cada uma delas acabe perdendo valor e vocação. Modernização sim. Mas sem tirar a autonomia e a sede londrinense de um instituto que ajudou a desenhar o DNA inovador do agronegócio do Norte do Paraná.

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