Há anos o Estado não assistia tamanha mobilização de servidores contra medidas anunciadas pelo governo. O engajamento ocorre por conta do segundo pacote de austeridade, editado pelo governo estadual e encaminhado à Assembleia Legislativa, que tem por objetivo maior sanear as contas do Estado. Entre os 13 itens, divididos em dois projetos de lei, há medidas importantes para a economia estadual e que, inclusive já deveriam ter sido tomadas.
O governo acerta em alguns pontos, como a implantação da Nota Fiscal Paranaense (programa similar ao do Estado de São Paulo e que incentiva por meio de prêmios que a população peça a nota fiscal como forma de aumentar a arrecadação), o parcelamento de débitos de ICMS e IPVA, entre outras iniciativas de contingenciamento necessárias ao Estado para equilibrar as finanças e enfrentar esse período de crise econômica.
No entanto, e o peso da máquina pública? Isso é ponto também importantíssimo nesse cenário e poderia entrar em discussão a redução ou fusão de secretarias e autarquias e corte de cargos comissionados. Esta última medida já foi anunciada, mas ainda não se tem um número. Outra questão que deve ser observada é que o plano pouco foi detalhado à população. A transparência e a comunicação prévia são questões importantes para o esclarecimento e o entendimento da proposta.
Importante destacar que a mobilização dos servidores é relevante porque indica que, ao menos uma parcela da população está atenta aos atos do governo. Isso é fator importante que, inclusive, fortalece a democracia. Se a população acompanhasse mais de perto as medidas tomadas pelos governantes, teriam sido evitadas muitas iniciativas contrárias aos interesses dos cidadãos. A decisão tomada por servidores e professores, de invadir o plenário da Assembleia Legislativa na tentativa de impedir a votação do pacote tal como foi apresentado pode até ser válida, mas depredações de bens e equipamentos públicos são inaceitáveis.

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