O ministro Sérgio Motta (sempre o Serjão) diz que para conversar com certos deputados, que fazem parte da base de sustentação do governo, só na sauna e completamente nu. Seria uma espécie de salvaguarda para que eles (os parlamentares) não possam levar tudo o que o ministro tem. Não se tem registro sobre as reações de qualquer parlamentar que tenha tido, por acaso, uma conversa com o citado ministro nu. As reações começam a surgir porque, sem sutileza nenhuma, o ministro chamou os senhores parlamentares de meros batedores de carteira. Não fica bem.
Nesse momento, quando as reformas estão enrolados no Congresso, ficar fazendo gracinha com o pessoal que vai aprovar, ou não, as mudanças só mesmo pelo prazer de viver perigosamente. Aliás, essa é uma das grandes qualidades dos governistas: cutucar a onça com vara curtíssima. Mas alguns tucanos ficam apavorados.
Na visão desses tucanos, que ainda não adotaram roupagem de pavões, a marcha dos sem-terra, as cascas de banana colocadas no caminho da privatização da Vale do Rio Doce e outras manifestações que estão acontecendo por aí indicam que a oposição já começou a se movimentar buscando derrubar a popularidade de Fernando Henrique. A campanha eleitoral já começou. Os movimentos e as manobras que estão sendo feitos a partir de agora têm como objetivo as eleições do ano que vem.
Do lado da oposição, a postura do presidente, tentando desqualificar os autores das críticas e não respondendo propriamente a elas, além de tomar para si a defesa do governo, deixando um pouco de lado os rebatedores oficiais, indica que FHC também já iniciou a campanha pela sua reeleição.
As coisinhas, as bobagens sempre agitam o mundinho político. Ele só continua um impávido colosso quando os sinais vêm de fora. A vitória dos trabalhistas ingleses, por exemplo, já levou alguns a pensarem que a etapa do neoliberalismo se esgotou. Agora é a vez do pós-neoliberalismo. As eleições francesas do final do mês podem apontar para o mesmo caminho. É claro que esses nomes que se dão a tendências econômicas e políticas não passa, às vezes, de meras convenções.
Mas o fato é que depois de 18 anos no poder os conservadores de Margareth Tatcher foram acometidos pelo desgaste dos metais. É muito tempo no poder. Grupo político, por mais bem equipado que seja, em todos os sentidos, não consegue mais ficar tanto tempo assim no comando.
Principalmente numa época em que as coisas acontecem com muita rapidez. A ‘‘tunda’’ que os conservadores ingleses levaram prova isso.
Aqui no Brasil, os tucanos, mas também os liberais do PFL, têm projetos de longo prazo para ficar no poder.
Mas aqui tudo é diferente mesmo. O neoliberalismo, que já está saindo de moda na Europa, continua sendo aqui a coisa mais moderna. É a última crise dos políticos que dizem pensar o futuro.
- FERNANDO JOSÉ DIAS DA SILVA é jornalista em São Paulo

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