As ruas lotadas de carros, motocicletas, ônibus, caminhões e bicicletas são um sinal de que as discussões sobre a mobilidade urbana não podem mais ser adiadas. Na última década, os incentivos concedidos à indústria automobilística - como uma das saídas para enfrentar a crise econômica mundial - aliados ao crédito farto disponível no mercado fizeram crescer em mais de 100% a frota de veículos no País entre 2002 e 2012. É fato que havia uma demanda reprimida.
Outro fator que ajudou a impulsionar o aumento da frota foi a baixa qualidade do transporte
público. Ônibus lentos, superlotação de passageiros e falta de conforto nos pontos são realidade em praticamente todo o País. E, se ao adotar o carro ou a motocicleta, todos esperavam ganhar conforto e agilidade das cidades, em muitos casos houve um efeito contrário. Trânsito extremamente
lento nas cidades de portes médio e grande, maior consumo de combustíveis, aumento da poluição, falta de estacionamento, aumento de acidentes com maior número de mortos e vítimas com sequelas, entre vários outros problemas, foram alguns dos efeitos.
Historicamente, nunca houve um planejamento efetivo para investimentos em transportes alternativos. O BRT (sigla para bus rapid transit), adotado inicialmente em Curitiba, tem sido um dos modelos mais discutidos justamente pela boa relação custo-benefício se comparado ao metrô. É ágil e sua implantação é bem mais barata.
Além disso, é preciso pensar em formas alternativas, como as ciclovias. Na maioria das cidades, esse modelo ainda não funciona. São poucos quilômetros de um trajeto que não faz ligação com pontos importantes da cidade. É preciso planejar um trânsito mais integrado até para garantir segurança aos adeptos de formas alternativas de mobilidade. O trânsito tem que ser mais amigável e todas as formas de transporte têm que aprender a conviver pacificamente.

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