A melhoria da economia, a partir da manutenção do emprego e da renda, aliado aos fortes incentivos à indústria automobilística concedidos nos últimos anos pelo governo federal, contribuíram fortemente para o aumento da frota brasileira. Ter um veículo atualmente deixou de ser sinônimo apenas de status, mas significa também conforto e, principalmente, uma boa alternativa ao transporte público. Tanto que pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que 54% dos domicílios brasileiros dispõem de automóveis ou motocicletas para os deslocamentos de seus moradores.
Um dado relevante como esse gera resultados rápidos – e importantes. Outro levantamento, do mesmo instituto, aponta que a "nova classe média" tem gastado mais tempo para o deslocamento casa-trabalho nos últimos anos. Os dados apontam que entre 1992 e 2012 o período desse trajeto aumentou em 12% nas regiões metropolitanas do País. O tempo médio saiu de 36,4 minutos para 40,8 minutos. O problema ocorre simplesmente porque as cidades não foram preparadas para esse aumento de veículos em circulação.
Incentivos à indústria automobilística foram a principal política econômica adotada pelo governo brasileiro para "blindar" o País contra o primeiro período de crise econômica mundial, iniciado em 2008. Aliada à disponibilidade de crédito no mercado, a população reagiu bem ao estímulo, o que garantiu que o Brasil não sofresse tão intensamente os impactos da recessão. No entanto, pouco – ou quase nada – foi feito para melhorar a estrutura viária das cidades e as próprias rodovias. Além disso, a qualidade do transporte público deixa a desejar na maioria dos municípios brasileiros.
Sem dúvida, o transporte público deve ser privilegiado em detrimento ao privado. No entanto, a política deve ser bem mais abrangente do que apenas construir ciclovias pelo espaço urbano. O planejamento não pode continuar a ser pensado exclusivamente para os carros, é preciso contemplar uma série de obras que integrem todos os agentes: motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres que privilegiem o bem comum. A mobilidade urbana precisa ser repensada urgentemente.

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